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Concentração plasmática de adenosina em cães: potencial aplicabilidade no diagnóstico da insuficiência cardíaca

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Resumo:A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome que afeta tanto o Homem como os animais, em especial o cão, sendo uma das principais causas de morbilidade e mortalidade em Medicina Humana e Medicina Veterinária. A adenosina (ADO) é um nucleósido endógeno que se sabe estar associado à fisiopatologia e progressão da IC. As concentrações plasmática de ADO e das enzimas envolvidas no seu metabolismo encontram-se alteradas na IC humana. Contudo, desconhece-se se estas alterações têm repercussão na IC do cão. A metodologia utilizada no doseamento de ADO plasmática (e.g. pré-tratamento da amostra e método de quantificação) não é consensual, contribuindo para a variabilidade de resultados descritos na literatura. Assim, o primeiro objetivo deste estudo foi o de implementar e otimizar uma técnica capaz de extrair e quantificar com rigor a ADO plasmática por cromatografia líquida de alta eficiência de fase reversa com detetor de fotodíodos (RP-HPLC-DAD). Depois da implementação da metodologia necessária, avaliámos as alterações dos níveis plasmáticos de ADO numa população de animais controlo e numa amostra de cães portadores de IC. Neste estudo foram incluídos 14 animais (grupo IC) agrupados de acordo com a causa e a classificação funcional definida pela International Small Animal Cardiac Health Council (ISACHC). Deste grupo, 9 cães apresentavam IC secundária a doença degenerativa valvular mitral (DDVM) e 5 apresentavam cardiomiopatia dilatada (CMD). O grupo controlo (CTRL) foi constituído por 18 cães clinicamente saudáveis. A amostra de sangue foi obtida a partir da punção de uma veia periférica. O sangue foi rapidamente misturado com uma solução de bloqueio contendo inibidores da recaptação (dipiridamol) e da desaminação (EHNA) da adenosina, bem como da metabolização extracelular dos nucleótidos de adenina (EDTA, quelante do Ca2+). Após centrifugação, o plasma foi congelado a -80 ºC até ser analisado por RP-HPLC-DAD. A concentração de ADO no plasma dos animais do grupo IC (n=14) foi superior (P<0,01) à observada no grupo CTRL (n=18) (456±101 nM vs 148±24 nM, respetivamente). O significado estatístico dos resultados obtidos entre os dois grupos foi maior considerando animais com peso inferior a 20 Kg, já que os animais de maior porte (≥20 Kg) apresentam níveis plasmáticos de ADO mais elevados. A concentração plasmática de ADO correlaciona-se de forma positiva com a gravidade da IC definida pela escala ISACHC. A sensibilidade da medida (dada pelas curvas ROC obtidas) sugere que os níveis plasmáticos de ADO são um indicador sensível da IC, em particular em cães com IC secundária a DDVM e com peso inferior a 20 Kg. Em conclusão, este ensaio preliminar original sugere que a ADO participa na fisiopatologia da IC no cão à semelhança do que acontece no Homem, podendo os seus níveis plasmáticos constituir um biomarcador sensível no diagnóstico e monitorização da IC no cão.
Autores principais:Sá, Mafalda da Cunha Correia de
Assunto:Cães Adenosina Insuficiência cardíaca Concentração plasmática Cromatografia líquida de alta eficiência
Ano:2014
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Idioma:português
Origem:Repositório da UTAD
Descrição
Resumo:A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome que afeta tanto o Homem como os animais, em especial o cão, sendo uma das principais causas de morbilidade e mortalidade em Medicina Humana e Medicina Veterinária. A adenosina (ADO) é um nucleósido endógeno que se sabe estar associado à fisiopatologia e progressão da IC. As concentrações plasmática de ADO e das enzimas envolvidas no seu metabolismo encontram-se alteradas na IC humana. Contudo, desconhece-se se estas alterações têm repercussão na IC do cão. A metodologia utilizada no doseamento de ADO plasmática (e.g. pré-tratamento da amostra e método de quantificação) não é consensual, contribuindo para a variabilidade de resultados descritos na literatura. Assim, o primeiro objetivo deste estudo foi o de implementar e otimizar uma técnica capaz de extrair e quantificar com rigor a ADO plasmática por cromatografia líquida de alta eficiência de fase reversa com detetor de fotodíodos (RP-HPLC-DAD). Depois da implementação da metodologia necessária, avaliámos as alterações dos níveis plasmáticos de ADO numa população de animais controlo e numa amostra de cães portadores de IC. Neste estudo foram incluídos 14 animais (grupo IC) agrupados de acordo com a causa e a classificação funcional definida pela International Small Animal Cardiac Health Council (ISACHC). Deste grupo, 9 cães apresentavam IC secundária a doença degenerativa valvular mitral (DDVM) e 5 apresentavam cardiomiopatia dilatada (CMD). O grupo controlo (CTRL) foi constituído por 18 cães clinicamente saudáveis. A amostra de sangue foi obtida a partir da punção de uma veia periférica. O sangue foi rapidamente misturado com uma solução de bloqueio contendo inibidores da recaptação (dipiridamol) e da desaminação (EHNA) da adenosina, bem como da metabolização extracelular dos nucleótidos de adenina (EDTA, quelante do Ca2+). Após centrifugação, o plasma foi congelado a -80 ºC até ser analisado por RP-HPLC-DAD. A concentração de ADO no plasma dos animais do grupo IC (n=14) foi superior (P<0,01) à observada no grupo CTRL (n=18) (456±101 nM vs 148±24 nM, respetivamente). O significado estatístico dos resultados obtidos entre os dois grupos foi maior considerando animais com peso inferior a 20 Kg, já que os animais de maior porte (≥20 Kg) apresentam níveis plasmáticos de ADO mais elevados. A concentração plasmática de ADO correlaciona-se de forma positiva com a gravidade da IC definida pela escala ISACHC. A sensibilidade da medida (dada pelas curvas ROC obtidas) sugere que os níveis plasmáticos de ADO são um indicador sensível da IC, em particular em cães com IC secundária a DDVM e com peso inferior a 20 Kg. Em conclusão, este ensaio preliminar original sugere que a ADO participa na fisiopatologia da IC no cão à semelhança do que acontece no Homem, podendo os seus níveis plasmáticos constituir um biomarcador sensível no diagnóstico e monitorização da IC no cão.