Publicação
Estrutura fundiária, mão de obra e tecnologia na viticultura Duriense: um estudo das dinâmicas locais recentes.
| Resumo: | As transformações registadas na Europa no post-guerra verificaram-se também em Portugal, embora com um certo desfasamento temporal e com uma dimensão específica. Boa parte dessas transformações observadas no espaço nacional foram condicionadas pelos processos de mudança operados na Europa saída da guerra, caracterizados pela industrialização e tercearização da economia, e que estiveram na origem do enorme êxodo populacional das zonas rurais. A transferência de mão-de-obra do sector agrário para outros sectores de actividade e dos meios rurais para os urbanos teve como consequência uma diminuição da população rural e em especial da força de trabalho agrária. O êxodo rural e a consequente rarefação de mão-de-obra e aumento de salários, induziu uma mudança tecnológica acompanhada duma mudança estrutural ao nível das explorações agrárias. Identificar as formas e conteúdos das dinâmicas recentes observadas nas explorações vitícolas durienses, no que concerne à sua estrutura e à adopção de técnicas e tecnologias poupadoras de mão-de-obra, constitui o objectivo central deste estudo. Foi utilizada como metodologia uma abordagem ao nível da aldeia, estudando-se duas povoações localizadas em dois diferentes concelhos da RDD, através de entrevistas dirigidas às suas unidades familiares independentemente de possuírem ou não uma exploração vitícola. As vias seguidas nas explorações vitícolas durienses para fazer face à rarefação de mão-deobra e ao aumento dos custos de produção têm sido variadas, em função não só das suas características físicas e das características socioeconómicas dos seus proprietários, mas também da situação conjuntural que rodeia a produção vitícola duriense. A abolição de certas operações culturais, o aumento da periodicidade de realização de outras, a substituição de trabalho masculino por trabalho feminino, mais abundante e barato, o crescente recurso a mão-de-obra de zonas exteriores à região e a substituição de trabalho por capital têm sido algumas das vias seguidas na tentativa de superar os constrangimentos observados ao nível do factor trabalho. Algumas destas mudanças podem ser consideradas conjunturais e foram adoptadas em períodos de crise financeira dos viticultores, tendendo a ser abandonadas logo que a situação se altere. Outras, pelo contrário, tendem a perdurar, independentemente da situação conjuntural da actividade, e podemos por isso considerá-las mudanças estruturais no funcionamento das explorações vitícolas. As pequenas explorações vitícolas caracterizam-se por recorrerem essencialmente a mão-de-obra familiar e constituem o pólo "tradicional" do sistema vitícola duriense por não mobilizarem grandes meios técnicos ou tecnologias avançadas. Protagonizam uma "estabilidade dinâmica", pois, geralmente, não aumentam a sua dimensão física senão pela plantação dum número muito reduzido de cepas, procedendo à renovação das suas vinhas através de retanchas. São, porém, de grande importância para a região, devido ao seu contributo para a produção vitícola total, pela dimensão demográfica das famílias proprietárias, pelo cuidado e intensidade de trabalho usado nas suas vinhas, podendo por isso constituir um pólo de qualidade na produção vitícola duriense e porque são um garante da riqueza paisagística da região, ao conservarem os sistemas de plantação tradicionais. As explorações vitícolas de maior dimensão caracterizam-se pelo recurso quase exclusivo a mão-de-obra assalariada e constituem o pólo "moderno" do sistema vitícola duriense. Protagonizam uma "dinâmica de crescimento e mudança", devido ao aumento da sua dimensão física através de compras e novas plantações de vinha, pelas importantes reestruturações das suas vinhas tradicionais, pelo investimento na aquisição de tractores e veículos de transporte, sendo estes últimos vitais para a mobilização e transporte da mão-de-obra, pela crescente verticalização da produção, vinificando em cave própria, e pela diversificação de actividades na exploração, orientando-as também para o turismo. |
|---|---|
| Autores principais: | Rebelo, Vasco Manuel Casal |
| Assunto: | Viticultura Tecnologia Mão-de-obra Região Demarcada do Douro (Portugal) |
| Ano: | 1995 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da UTAD |
| Resumo: | As transformações registadas na Europa no post-guerra verificaram-se também em Portugal, embora com um certo desfasamento temporal e com uma dimensão específica. Boa parte dessas transformações observadas no espaço nacional foram condicionadas pelos processos de mudança operados na Europa saída da guerra, caracterizados pela industrialização e tercearização da economia, e que estiveram na origem do enorme êxodo populacional das zonas rurais. A transferência de mão-de-obra do sector agrário para outros sectores de actividade e dos meios rurais para os urbanos teve como consequência uma diminuição da população rural e em especial da força de trabalho agrária. O êxodo rural e a consequente rarefação de mão-de-obra e aumento de salários, induziu uma mudança tecnológica acompanhada duma mudança estrutural ao nível das explorações agrárias. Identificar as formas e conteúdos das dinâmicas recentes observadas nas explorações vitícolas durienses, no que concerne à sua estrutura e à adopção de técnicas e tecnologias poupadoras de mão-de-obra, constitui o objectivo central deste estudo. Foi utilizada como metodologia uma abordagem ao nível da aldeia, estudando-se duas povoações localizadas em dois diferentes concelhos da RDD, através de entrevistas dirigidas às suas unidades familiares independentemente de possuírem ou não uma exploração vitícola. As vias seguidas nas explorações vitícolas durienses para fazer face à rarefação de mão-deobra e ao aumento dos custos de produção têm sido variadas, em função não só das suas características físicas e das características socioeconómicas dos seus proprietários, mas também da situação conjuntural que rodeia a produção vitícola duriense. A abolição de certas operações culturais, o aumento da periodicidade de realização de outras, a substituição de trabalho masculino por trabalho feminino, mais abundante e barato, o crescente recurso a mão-de-obra de zonas exteriores à região e a substituição de trabalho por capital têm sido algumas das vias seguidas na tentativa de superar os constrangimentos observados ao nível do factor trabalho. Algumas destas mudanças podem ser consideradas conjunturais e foram adoptadas em períodos de crise financeira dos viticultores, tendendo a ser abandonadas logo que a situação se altere. Outras, pelo contrário, tendem a perdurar, independentemente da situação conjuntural da actividade, e podemos por isso considerá-las mudanças estruturais no funcionamento das explorações vitícolas. As pequenas explorações vitícolas caracterizam-se por recorrerem essencialmente a mão-de-obra familiar e constituem o pólo "tradicional" do sistema vitícola duriense por não mobilizarem grandes meios técnicos ou tecnologias avançadas. Protagonizam uma "estabilidade dinâmica", pois, geralmente, não aumentam a sua dimensão física senão pela plantação dum número muito reduzido de cepas, procedendo à renovação das suas vinhas através de retanchas. São, porém, de grande importância para a região, devido ao seu contributo para a produção vitícola total, pela dimensão demográfica das famílias proprietárias, pelo cuidado e intensidade de trabalho usado nas suas vinhas, podendo por isso constituir um pólo de qualidade na produção vitícola duriense e porque são um garante da riqueza paisagística da região, ao conservarem os sistemas de plantação tradicionais. As explorações vitícolas de maior dimensão caracterizam-se pelo recurso quase exclusivo a mão-de-obra assalariada e constituem o pólo "moderno" do sistema vitícola duriense. Protagonizam uma "dinâmica de crescimento e mudança", devido ao aumento da sua dimensão física através de compras e novas plantações de vinha, pelas importantes reestruturações das suas vinhas tradicionais, pelo investimento na aquisição de tractores e veículos de transporte, sendo estes últimos vitais para a mobilização e transporte da mão-de-obra, pela crescente verticalização da produção, vinificando em cave própria, e pela diversificação de actividades na exploração, orientando-as também para o turismo. |
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