Publicação

Serviços de ecossistema na cultura do castanheiro: agroflorestal vs. sistema convencional estudo das perceções dos produtores

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:O castanheiro é uma espécie com grande implementação na região de Trás-os-Montes e Alto Douro. Durante vários séculos esta espécie foi cultivada nas zonas de montanha como parte de um sistema agroflorestal que a integrava juntamente com pastagens e / ou culturas cerealíferas anuais, produzindo castanha e madeira. Nas últimas décadas com a subida do preço da castanha nos mercados assistiu-se a uma grande expansão da área de castanheiro, cultivado em monocultura, para áreas com condições agroecológicas menos favoráveis relativamente às do “habitat” tradicional da espécie nesta região. A incidência e disseminação de pragas e doenças, de que é exemplo a “doença da tinta do castanheiro”, acompanharam esta expansão. Mais recentemente as alterações climáticas constituem outra ameaça com impacto na produtividade. As pragas e doenças da cultura juntamente como as alterações climáticas têm levado a uma diminuição constante da produtividade nos últimos anos. Investigadores e técnicos têm apresentado soluções para estas ameaças, visando o aumento da sustentabilidade da cultura e a melhoria dos serviços de ecossistema que a suportam e que esta garante. Contudo, estas soluções tendem a ser adotadas apenas por um número pequeno de produtores. O presente trabalho procura perceber de que forma os produtores tomam a decisão de adotar e / ou desenvolver práticas ambientalmente mais sustentáveis, tendo em vista não só a manutenção da cultura no longo prazo, mas também a melhoria de vários serviços de ecossistemas como a fertilidade do solo, a retenção de água e a valorização da paisagem. Este processo de tomada de decisão envolve uma série de fatores, incluindo aspetos sociopsicológicos, como as atitudes, perceções, crenças e conhecimento dos produtores, que ainda que pouco estudados aparentam ter uma influência determinante nas suas decisões. A Metodologia-Q é uma metodologia pouco conhecida no âmbito das ciências naturais, mas é uma ferramenta muito útil para entender como os participantes percecionam um problema e possíveis soluções. Esta metodologia no presente contexto aplicou-se para perceber se existem perceções e atitudes comuns acerca dos problemas e soluções do castanheiro em grupos de produtores de castanha que enfrentam diferentes desafios no seu dia-a-dia, bem como identificar os pontos de vista dos agricultores sobre as práticas agroflorestais e como elas são influenciadas pela variabilidade agroecológica local, características sociodemográficas dos agricultores ou coletivas. O estudo incluiu 39 participantes (entrevistados em abril e maio de 2017) e os resultados obtidos após análise fatorial evidenciam 3 diferentes perspetivas acerca das soluções e serviços de ecossistema da cultura do castanheiro: “Foco na produtividade”, exibindo perceção utilitária dos SE; “Consciente da relevância SE”, valorizando a dimensão pública dos SE; “Crentes nas soluções tecnológicas” com pouca consciência acerca dos ES. As características socioeconómicas e da exploração agrícolas não mostram grande influência na explicação das diferentes perspetivas, enquanto as diferenças entre subregiões parecem ser significativas. Estes resultados sugerem ainda que incentivos e boas práticas de extensão e partilha do conhecimento (moldadas de acordo com a variabilidade local) podem influenciar as perspetivas dos participantes acerca dos SE e promover paisagens rurais mais sustentáveis.
Autores principais:Mucha, Tiago Emanuel de Oliveira
Assunto:Castanheiro Metodologia-Q
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Idioma:português
Origem:Repositório da UTAD
Descrição
Resumo:O castanheiro é uma espécie com grande implementação na região de Trás-os-Montes e Alto Douro. Durante vários séculos esta espécie foi cultivada nas zonas de montanha como parte de um sistema agroflorestal que a integrava juntamente com pastagens e / ou culturas cerealíferas anuais, produzindo castanha e madeira. Nas últimas décadas com a subida do preço da castanha nos mercados assistiu-se a uma grande expansão da área de castanheiro, cultivado em monocultura, para áreas com condições agroecológicas menos favoráveis relativamente às do “habitat” tradicional da espécie nesta região. A incidência e disseminação de pragas e doenças, de que é exemplo a “doença da tinta do castanheiro”, acompanharam esta expansão. Mais recentemente as alterações climáticas constituem outra ameaça com impacto na produtividade. As pragas e doenças da cultura juntamente como as alterações climáticas têm levado a uma diminuição constante da produtividade nos últimos anos. Investigadores e técnicos têm apresentado soluções para estas ameaças, visando o aumento da sustentabilidade da cultura e a melhoria dos serviços de ecossistema que a suportam e que esta garante. Contudo, estas soluções tendem a ser adotadas apenas por um número pequeno de produtores. O presente trabalho procura perceber de que forma os produtores tomam a decisão de adotar e / ou desenvolver práticas ambientalmente mais sustentáveis, tendo em vista não só a manutenção da cultura no longo prazo, mas também a melhoria de vários serviços de ecossistemas como a fertilidade do solo, a retenção de água e a valorização da paisagem. Este processo de tomada de decisão envolve uma série de fatores, incluindo aspetos sociopsicológicos, como as atitudes, perceções, crenças e conhecimento dos produtores, que ainda que pouco estudados aparentam ter uma influência determinante nas suas decisões. A Metodologia-Q é uma metodologia pouco conhecida no âmbito das ciências naturais, mas é uma ferramenta muito útil para entender como os participantes percecionam um problema e possíveis soluções. Esta metodologia no presente contexto aplicou-se para perceber se existem perceções e atitudes comuns acerca dos problemas e soluções do castanheiro em grupos de produtores de castanha que enfrentam diferentes desafios no seu dia-a-dia, bem como identificar os pontos de vista dos agricultores sobre as práticas agroflorestais e como elas são influenciadas pela variabilidade agroecológica local, características sociodemográficas dos agricultores ou coletivas. O estudo incluiu 39 participantes (entrevistados em abril e maio de 2017) e os resultados obtidos após análise fatorial evidenciam 3 diferentes perspetivas acerca das soluções e serviços de ecossistema da cultura do castanheiro: “Foco na produtividade”, exibindo perceção utilitária dos SE; “Consciente da relevância SE”, valorizando a dimensão pública dos SE; “Crentes nas soluções tecnológicas” com pouca consciência acerca dos ES. As características socioeconómicas e da exploração agrícolas não mostram grande influência na explicação das diferentes perspetivas, enquanto as diferenças entre subregiões parecem ser significativas. Estes resultados sugerem ainda que incentivos e boas práticas de extensão e partilha do conhecimento (moldadas de acordo com a variabilidade local) podem influenciar as perspetivas dos participantes acerca dos SE e promover paisagens rurais mais sustentáveis.