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Caracterização citogenética de duas linhas celulares de cancro de bexiga e avaliação dos efeitos da cisplatina por citogenética, ensaio do cometa e quantificação de proteínas AgNOR

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Mais de 90% dos tumores uroteliais surgem na bexiga, em que a forma mais comum é o carcinoma de células transicionais da bexiga (TCC). Apesar da sua natureza relativamente “benigna”, os TCCs superficiais possuem uma taxa de recaída até 70% dos casos, 10 a 15% dos quais, progridem para a forma músculo-invasiva da doença. O estudo in vitro com recurso a linhas celulares de cancro de bexiga apresenta-se assim como um modelo clínico valioso para a compreensão da doença, bem como, a investigação de fármacos antineoplásicos. Existem actualmente cerca de cinquenta linhas celulares de cancro de bexiga disponíveis, das quais fazem parte as linhas 5637 e MCR, respectivamente, de origem superficial e metastática. A cisplatina (cis-diaminodicloroplatina(II)), um composto platinado de acção alquilante, é um fármaco de ampla utilização no tratamento de diversos tipos de cancro, como é o caso do cancro da bexiga. As lesões predominantes são as ligações cruzadas do tipo intra-cadeia 1,2-d(GpG), que levam ao bloqueio da transcrição, replicação e reparação do DNA. O objectivo do presente trabalho centrou-se, numa primeira fase, na utilização de várias técnicas de citogenética clássica e molecular no estudo das principais alterações cromossómicas associadas às linhas celulares 5637 e MCR. E, numa segunda fase, na avaliação do efeito da cisplatina sobre estas mesmas linhas ao nível das lesões no DNA e da actividade proliferativa, integrando a citogenética, o ensaio do cometa e a quantificação morfométrica das proteínas AgNOR. Foi possível identificar várias alterações cromossómicas, em ambas as linhas celulares, que foram descritas pela primeira vez, assim como, esclarecer algumas que apenas haviam sido parcialmente descritas na literatura. A exposição à cisplatina deu origem a várias aberrações cromossómicas como quebras de cromátides, formação de cromossomas radiais, cromossomas pulverizados, placas metafásicas condensadas e cromossomas minute e double minute. Foi ainda possível verificar, com o ensaio do cometa, um efeito significativo das ligações cruzadas induzidas pela cisplatina na linha celular 5637 (p < 0,01), para além de uma redução altamente significativa da actividade proliferativa em ambas as linhas (p < 0,001), caracterizada essencialmente pela drástica diminuição da marcação AgNOR. Através da combinação das várias técnicas utilizadas foi possível concluir que a linha celular mais afectada pelos efeitos genotóxicos da cisplatina foi a linha superficial 5637.
Autores principais:Filipe, Marco António Ramos da Silva
Assunto:Cancro Bexiga Citogenética Cisplatina Ensaio cometa 5637 MCR AgNOR
Ano:2013
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Idioma:português
Origem:Repositório da UTAD
Descrição
Resumo:Mais de 90% dos tumores uroteliais surgem na bexiga, em que a forma mais comum é o carcinoma de células transicionais da bexiga (TCC). Apesar da sua natureza relativamente “benigna”, os TCCs superficiais possuem uma taxa de recaída até 70% dos casos, 10 a 15% dos quais, progridem para a forma músculo-invasiva da doença. O estudo in vitro com recurso a linhas celulares de cancro de bexiga apresenta-se assim como um modelo clínico valioso para a compreensão da doença, bem como, a investigação de fármacos antineoplásicos. Existem actualmente cerca de cinquenta linhas celulares de cancro de bexiga disponíveis, das quais fazem parte as linhas 5637 e MCR, respectivamente, de origem superficial e metastática. A cisplatina (cis-diaminodicloroplatina(II)), um composto platinado de acção alquilante, é um fármaco de ampla utilização no tratamento de diversos tipos de cancro, como é o caso do cancro da bexiga. As lesões predominantes são as ligações cruzadas do tipo intra-cadeia 1,2-d(GpG), que levam ao bloqueio da transcrição, replicação e reparação do DNA. O objectivo do presente trabalho centrou-se, numa primeira fase, na utilização de várias técnicas de citogenética clássica e molecular no estudo das principais alterações cromossómicas associadas às linhas celulares 5637 e MCR. E, numa segunda fase, na avaliação do efeito da cisplatina sobre estas mesmas linhas ao nível das lesões no DNA e da actividade proliferativa, integrando a citogenética, o ensaio do cometa e a quantificação morfométrica das proteínas AgNOR. Foi possível identificar várias alterações cromossómicas, em ambas as linhas celulares, que foram descritas pela primeira vez, assim como, esclarecer algumas que apenas haviam sido parcialmente descritas na literatura. A exposição à cisplatina deu origem a várias aberrações cromossómicas como quebras de cromátides, formação de cromossomas radiais, cromossomas pulverizados, placas metafásicas condensadas e cromossomas minute e double minute. Foi ainda possível verificar, com o ensaio do cometa, um efeito significativo das ligações cruzadas induzidas pela cisplatina na linha celular 5637 (p < 0,01), para além de uma redução altamente significativa da actividade proliferativa em ambas as linhas (p < 0,001), caracterizada essencialmente pela drástica diminuição da marcação AgNOR. Através da combinação das várias técnicas utilizadas foi possível concluir que a linha celular mais afectada pelos efeitos genotóxicos da cisplatina foi a linha superficial 5637.