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Utentes com feridas crónicas e suas famílias: Intervenção do enfermeiro de família

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Resumo:Enquadramento: O presente relatório de estágio de natureza profissional integra-se no Curso de Mestrado em Enfermagem de Saúde Familiar e pretende explicitar o processo de desenvolvimento das competências do Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Familiar e a concretização de um estudo empírico. O estágio decorreu numa Unidade de Saúde Familiar do norte de País durante o qual desenvolvemos várias atividades, com destaque para a realização do estudo “Utentes com feridas crónicas e suas famílias: Intervenção do enfermeiro de família”. As feridas crónicas constituem uma problemática relevante, com estudos a apontarem para o aumento da sua prevalência como resultado do envelhecimento da população, e a evidenciarem que os utentes com ferida crónica sofrem limitações nas suas atividades de vida diária, bem-estar e qualidade de vida. A presença de feridas crónicas pode ter repercussões no equilíbrio e dinâmica familiar, o que desafia os enfermeiros a adotarem uma atitude ativa e inovadora na promoção e na recuperação do bem-estar da família, no contexto atual dos cuidados às famílias. Objetivos: i) Descrever as atividades que contribuíram para o processo de desenvolvimento das competências do enfermeiro especialista em enfermagem comunitária na área de enfermagem de saúde familiar; ii) Descrever o estudo empírico designado “Utentes com feridas crónicas e suas famílias: Intervenção do enfermeiro de família”, no qual procedemos à avaliação da qualidade de vida e bem-estar psicológico dos utentes com feridas crónicas e à avaliação do bem-estar psicológico dos cuidadores informais. Metodologia: Realizamos uma análise crítico-reflexiva do processo de desenvolvimento das competências e um estudo de abordagem quantitativa, analítico, exploratório e longitudinal. Para o estudo empírico, utilizamos como instrumento de colheita dos dados um formulário, constituído por questões que incluíam variáveis de caracterização sociodemográfica, o Genograma, FACES II, o questionário MNA, a escala Resvech 2.0, o questionário de bem-estar psicológico versão reduzida (QGBEP-R) e o questionário da qualidade de vida (WHOQOL-BREF). Foram respeitados os procedimentos éticos, inerentes à recolha de dados. Resultados: Destaca-se no âmbito das competências especificas na área de Enfermagem de Saúde Familiar a conceção da família enquanto unidade de cuidados, privilegiando abordagens de natureza sistémica bem como o desenvolvimento de atividades que contribuam para a capacitação da família nos processos de saúde doença. No que respeita ao estudo empírico, a maioria os utentes com ferida crónica, pertencia ao sexo masculino (57,1%,) com idades compreendidas entre os 44 e 89 anos, casados, com baixo nível de escolaridade. O fator de risco que mais se evidenciou foi a hipertensão arterial. Quanto a avaliação familiar predomina a família extensa (66,7%) e no que respeita à coesão e adaptabilidade familiar, 38,1% das famílias foram classificadas como desmembradas e rígidas. O tipo de ferida crónica mais frequente foi a úlcera da perna (67,7%), seguido da úlcera por pressão (14,3%). No que concerne à monotorização do processo de cicatrização da ferida crónica após aplicação da escala RESVECH 2.0, verificou-se uma média de 8,80 valores, revelando um processo de cicatrização favorável. Em relação aos cuidadores informais, verificamos que todos eram familiares, com uma média de idade de 66,3 anos e com baixo nível de escolaridade (76,2%). Por sua vez, na avaliação de bem-estar psicológico dos cuidadores informais, verificamos que apresentavam valores acima do ponto médio da escala (17,2). Em relação aos utentes com feridas crónicas, constatamos que estes apresentavam valores acima do ponto médio da escala (18,9) na dimensão de bem-estar psicológico, e no que concerne aos domínios da qualidade de vida, constatamos que o domínio físico apresentou a média com valor mais baixo (12,2), e o domínio social a média mais elevada (15,3). Verificamos que existe correlação entre a variável bem-estar psicológico e os domínios da qualidade de vida na perceção dos utentes com ferida crónica, evidenciando-se uma relação moderada e significativa nos domínios físico e psicológico. Quanto ao desenvolvimento do projeto de intervenção “Viver melhor com ferida crónica”, após a intervenção, constatamos um aumento estatisticamente significativo na pontuação de bem-estar psicológico e em relação à qualidade de vida verificamos um aumento em todos os domínios, mas não se observou uma relação estatisticamente significativa. Conclusão: O estágio permitiu-nos o desenvolvimento das competências do enfermeiro especialista em enfermagem comunitária na área da enfermagem de saúde familiar. No que respeita ao estudo empírico, e após implementação do projeto de intervenção “Viver melhor com ferida crónica”, verificou-se uma relação estatisticamente significativa entre bem-estar psicológico e qualidade de vida. No que concerne às implicações para a prática de enfermagem, este estudo permitiu aumentar a evidência sobre esta problemática e sensibilizar a equipa da Unidade de Saúde Familiar para a importância da intervenção do enfermeiro de família, privilegiando uma abordagem holística das famílias em que um dos elementos possui uma ferida crónica de modo a promover o bem-estar psicológico e a qualidade de vida destas famílias.
Autores principais:Cerqueira, Irene da Conceição Jales
Assunto:Enfermeiro de família Feridas crónicas
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Idioma:português
Origem:Repositório da UTAD
Descrição
Resumo:Enquadramento: O presente relatório de estágio de natureza profissional integra-se no Curso de Mestrado em Enfermagem de Saúde Familiar e pretende explicitar o processo de desenvolvimento das competências do Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Familiar e a concretização de um estudo empírico. O estágio decorreu numa Unidade de Saúde Familiar do norte de País durante o qual desenvolvemos várias atividades, com destaque para a realização do estudo “Utentes com feridas crónicas e suas famílias: Intervenção do enfermeiro de família”. As feridas crónicas constituem uma problemática relevante, com estudos a apontarem para o aumento da sua prevalência como resultado do envelhecimento da população, e a evidenciarem que os utentes com ferida crónica sofrem limitações nas suas atividades de vida diária, bem-estar e qualidade de vida. A presença de feridas crónicas pode ter repercussões no equilíbrio e dinâmica familiar, o que desafia os enfermeiros a adotarem uma atitude ativa e inovadora na promoção e na recuperação do bem-estar da família, no contexto atual dos cuidados às famílias. Objetivos: i) Descrever as atividades que contribuíram para o processo de desenvolvimento das competências do enfermeiro especialista em enfermagem comunitária na área de enfermagem de saúde familiar; ii) Descrever o estudo empírico designado “Utentes com feridas crónicas e suas famílias: Intervenção do enfermeiro de família”, no qual procedemos à avaliação da qualidade de vida e bem-estar psicológico dos utentes com feridas crónicas e à avaliação do bem-estar psicológico dos cuidadores informais. Metodologia: Realizamos uma análise crítico-reflexiva do processo de desenvolvimento das competências e um estudo de abordagem quantitativa, analítico, exploratório e longitudinal. Para o estudo empírico, utilizamos como instrumento de colheita dos dados um formulário, constituído por questões que incluíam variáveis de caracterização sociodemográfica, o Genograma, FACES II, o questionário MNA, a escala Resvech 2.0, o questionário de bem-estar psicológico versão reduzida (QGBEP-R) e o questionário da qualidade de vida (WHOQOL-BREF). Foram respeitados os procedimentos éticos, inerentes à recolha de dados. Resultados: Destaca-se no âmbito das competências especificas na área de Enfermagem de Saúde Familiar a conceção da família enquanto unidade de cuidados, privilegiando abordagens de natureza sistémica bem como o desenvolvimento de atividades que contribuam para a capacitação da família nos processos de saúde doença. No que respeita ao estudo empírico, a maioria os utentes com ferida crónica, pertencia ao sexo masculino (57,1%,) com idades compreendidas entre os 44 e 89 anos, casados, com baixo nível de escolaridade. O fator de risco que mais se evidenciou foi a hipertensão arterial. Quanto a avaliação familiar predomina a família extensa (66,7%) e no que respeita à coesão e adaptabilidade familiar, 38,1% das famílias foram classificadas como desmembradas e rígidas. O tipo de ferida crónica mais frequente foi a úlcera da perna (67,7%), seguido da úlcera por pressão (14,3%). No que concerne à monotorização do processo de cicatrização da ferida crónica após aplicação da escala RESVECH 2.0, verificou-se uma média de 8,80 valores, revelando um processo de cicatrização favorável. Em relação aos cuidadores informais, verificamos que todos eram familiares, com uma média de idade de 66,3 anos e com baixo nível de escolaridade (76,2%). Por sua vez, na avaliação de bem-estar psicológico dos cuidadores informais, verificamos que apresentavam valores acima do ponto médio da escala (17,2). Em relação aos utentes com feridas crónicas, constatamos que estes apresentavam valores acima do ponto médio da escala (18,9) na dimensão de bem-estar psicológico, e no que concerne aos domínios da qualidade de vida, constatamos que o domínio físico apresentou a média com valor mais baixo (12,2), e o domínio social a média mais elevada (15,3). Verificamos que existe correlação entre a variável bem-estar psicológico e os domínios da qualidade de vida na perceção dos utentes com ferida crónica, evidenciando-se uma relação moderada e significativa nos domínios físico e psicológico. Quanto ao desenvolvimento do projeto de intervenção “Viver melhor com ferida crónica”, após a intervenção, constatamos um aumento estatisticamente significativo na pontuação de bem-estar psicológico e em relação à qualidade de vida verificamos um aumento em todos os domínios, mas não se observou uma relação estatisticamente significativa. Conclusão: O estágio permitiu-nos o desenvolvimento das competências do enfermeiro especialista em enfermagem comunitária na área da enfermagem de saúde familiar. No que respeita ao estudo empírico, e após implementação do projeto de intervenção “Viver melhor com ferida crónica”, verificou-se uma relação estatisticamente significativa entre bem-estar psicológico e qualidade de vida. No que concerne às implicações para a prática de enfermagem, este estudo permitiu aumentar a evidência sobre esta problemática e sensibilizar a equipa da Unidade de Saúde Familiar para a importância da intervenção do enfermeiro de família, privilegiando uma abordagem holística das famílias em que um dos elementos possui uma ferida crónica de modo a promover o bem-estar psicológico e a qualidade de vida destas famílias.