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Infeções víricas no gato doméstico em contexto Clínico: Panleucopenia Felina e Vírus da Leucemia Felina

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O presente trabalho foi desenvolvido no âmbito das doenças infeciosas, tendo por base os casos clínicos de gatos apresentados a consulta no Centro Veterinário MarãoVet durante o período em que foi realizado o estágio curricular, entre 13 de setembro de 2021 e 12 de fevereiro de 2022. Neste trabalho, é realizada primeiramente uma revisão bibliográfica das infeções observadas com maior frequência e com maior impacto na saúde dos gatos apresentados durante o referido estágio: a Panleucopenia Felina e o Vírus da Leucemia Felina (FeLV). A Panleucopenia Felina é maioritariamente provocada pelo Parvovírus Felino (FPV), mas também pode surgir devido à infeção com as variantes do Parvovírus Canino (CPV). Esta infeção é normalmente associada a uma gastroenterite aguda. A infeção pelo FeLV pode resultar em vários cursos de infeção (progressiva, regressiva, abortiva e focal) dependendo do equilíbrio atingido entre o sistema imunitário do gato e o vírus. Pode originar uma grande variedade de patologias, nomeadamente tumores como o linfoma e leucemia, imunodepressão, distúrbios da medula óssea, distúrbios gastrointestinais, entre outros. Na segunda parte deste trabalho são descritos 2 casos clínicos relativos à Panleucopenia Felina e 3 casos clínicos referentes à infeção pelo FeLV, os quais são posteriormente discutidos e analisados, comparando-os com as informações relatadas na bibliografia. Os 2 casos clínicos referentes à Panleucopenia Felina surgiram em gatos adultos de 1 ano de idade, um macho e uma fêmea, irmãos, que partilhavam casa, tinham livre acesso à rua e estavam indevidamente vacinados. Ambos os gatos apresentaram sinais clínicos de gastroenterite (febre, depressão, anorexia, vómitos, diarreia com e sem sangue). As alterações do hemograma tipicamente registadas em animais com infeção pelo FPV (neutropenia e linfopenia) foram registadas no macho, sendo que a fêmea apenas demonstrou neutropenia. Apesar do tratamento, nenhum animal sobreviveu, tendo sido necessária a eutanásia do macho. Os 3 gatos com infeção pelo FeLV exibiram quadros clínicos distintos. Eram 3 gatos adultos, dois machos e uma fêmea. A fêmea tinha infeção progressiva e apresentou-se inicialmente à consulta com linfonodos muito hipertrofiados, sugestivo de linfoma. Um dos machos não era castrado, tinha livre acesso à rua e morava com outros gatos também com livre acesso à rua. Este animal manifestava um quadro clínico de enterite com diarreia e hiporexia e, mais tarde, detetou-se ascite. O outro gato, um macho castrado de 5 anos de idade, possuía sinais clínicos leves e inespecíficos (prostração e hiporexia) após ter sido introduzido um novo gato na sua residência. O gato com enterite acabou por morrer em casa após o desenvolvimento de um quadro clínico compatível com peritonite infeciosa felina. Os restantes gatos mantêm-se vivos, sendo que a fêmea continua o tratamento com prednisolona para controlar a dimensão dos linfonodos e o macho permanece saudável.
Autores principais:Pires, Maria Inês Soares
Assunto:Panleucopenia Felina Vírus da Leucemia Felina
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso embargado
Instituição associada:Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Idioma:português
Origem:Repositório da UTAD
Descrição
Resumo:O presente trabalho foi desenvolvido no âmbito das doenças infeciosas, tendo por base os casos clínicos de gatos apresentados a consulta no Centro Veterinário MarãoVet durante o período em que foi realizado o estágio curricular, entre 13 de setembro de 2021 e 12 de fevereiro de 2022. Neste trabalho, é realizada primeiramente uma revisão bibliográfica das infeções observadas com maior frequência e com maior impacto na saúde dos gatos apresentados durante o referido estágio: a Panleucopenia Felina e o Vírus da Leucemia Felina (FeLV). A Panleucopenia Felina é maioritariamente provocada pelo Parvovírus Felino (FPV), mas também pode surgir devido à infeção com as variantes do Parvovírus Canino (CPV). Esta infeção é normalmente associada a uma gastroenterite aguda. A infeção pelo FeLV pode resultar em vários cursos de infeção (progressiva, regressiva, abortiva e focal) dependendo do equilíbrio atingido entre o sistema imunitário do gato e o vírus. Pode originar uma grande variedade de patologias, nomeadamente tumores como o linfoma e leucemia, imunodepressão, distúrbios da medula óssea, distúrbios gastrointestinais, entre outros. Na segunda parte deste trabalho são descritos 2 casos clínicos relativos à Panleucopenia Felina e 3 casos clínicos referentes à infeção pelo FeLV, os quais são posteriormente discutidos e analisados, comparando-os com as informações relatadas na bibliografia. Os 2 casos clínicos referentes à Panleucopenia Felina surgiram em gatos adultos de 1 ano de idade, um macho e uma fêmea, irmãos, que partilhavam casa, tinham livre acesso à rua e estavam indevidamente vacinados. Ambos os gatos apresentaram sinais clínicos de gastroenterite (febre, depressão, anorexia, vómitos, diarreia com e sem sangue). As alterações do hemograma tipicamente registadas em animais com infeção pelo FPV (neutropenia e linfopenia) foram registadas no macho, sendo que a fêmea apenas demonstrou neutropenia. Apesar do tratamento, nenhum animal sobreviveu, tendo sido necessária a eutanásia do macho. Os 3 gatos com infeção pelo FeLV exibiram quadros clínicos distintos. Eram 3 gatos adultos, dois machos e uma fêmea. A fêmea tinha infeção progressiva e apresentou-se inicialmente à consulta com linfonodos muito hipertrofiados, sugestivo de linfoma. Um dos machos não era castrado, tinha livre acesso à rua e morava com outros gatos também com livre acesso à rua. Este animal manifestava um quadro clínico de enterite com diarreia e hiporexia e, mais tarde, detetou-se ascite. O outro gato, um macho castrado de 5 anos de idade, possuía sinais clínicos leves e inespecíficos (prostração e hiporexia) após ter sido introduzido um novo gato na sua residência. O gato com enterite acabou por morrer em casa após o desenvolvimento de um quadro clínico compatível com peritonite infeciosa felina. Os restantes gatos mantêm-se vivos, sendo que a fêmea continua o tratamento com prednisolona para controlar a dimensão dos linfonodos e o macho permanece saudável.