Publicação
Estudo da transição epitélio-mesênquima nos adenocarcinomas do endométrio de gata
| Resumo: | O útero da gata é um local pouco comum para o desenvolvimento de neoplasias. O adenocarcinoma do endométrio é uma neoplasia epitelial maligna, rara em animais domésticos, exceto coelhos e vacas. Contudo, estudos recentes referem que, na gata, este tipo de adenocarcinoma possa ser mais comum do que até aqui descrito. A ocorrência da transição epitélio-mesênquima (TEM) durante a progressão tumoral permite às células neoplásicas adquirirem a capacidade de infiltrar o tecido circundante e metastizar, formando um tumor secundário. Este processo está associado à perda ou baixa regulação dos marcadores epiteliais, tal como a caderina-E, que regula a adesão entre estas células. As metaloproteinases de matriz (MMPs) estão envolvidas na degradação da MEC. Em neoplasias malignas, promovem a progressão e metastização tumoral, assim como a TEM, ao reprimir, indiretamente, a caderina-E. Foi objetivo deste trabalho a identificação das MMP-1, -2 e -9 no endométrio cíclico e nas lesões uterinas da gata. A expressão da MMP-1, -2 e -9 foi estudada em amostras de útero de gata normais, na fase proliferativa (n = 6) e secretora (n = 8) do ciclo éstrico, assim como em amostras com inflamação (n = 6), hiperplasia quística (n = 8/9/12) e em adenocarcinomas do endométrio da gata (AEG) (n = 21/22). Usou-se a técnica de imunohistoquímica indireta com o anticorpo anti-MMP-1 (diluição 1:100), anti-MMP-2 (1:100) e anti-MMP-9 (1:150). A intensidade de marcação foi avaliada como ausente (zero), fraca (+), moderada (++) ou intensa (+++). Observou-se uma diminuição na expressão da MMP-1 e -9 com diferenças estatisticamente significativas (p < 0,05) em relação à fase estrogénica no caso das piómetras e hiperplasias quística, enquanto que esta diferença só se observou entre as AEGs e fase estrogénica para a MMP-1. Esta fase apresentou uma maior expressão da MMP-1 e -9 quando comparada a fase secretora. Contudo, não encontramos diferenças estatisticamente significativas na expressão da MMP-2 nos AEGs em relação ao útero normal, assim como para a piómetra e hiperplasia quística com o útero normal e também na comparação das fases normais. Este estudo revelou que o útero cíclico fisiológico apresenta uma maior expressão da MMP-1 e -9 na fase proliferativa, o que poderá estar relacionado com a remodelação celular que precede a maior expressão glandular da fase secretora. Contudo, contrariamente ao esperado, a expressão destas MMPs nos AEGs é significativamente menor que na fase proliferativa, contrastando com o descrito na literatura para esses tumores na mulher. Uma vez que a atividade das MMPs reprime, indiretamente, a caderina-E, quebrando as interações célula-célula e que esta pode ser modulada pelos seus inibidores (TIMPs) locais, são desejáveis estudos adicionais para esclarecer o papel das MMPs nos AEGs. |
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| Autores principais: | Alves, Emilie de Freitas |
| Assunto: | gata, , , piómetra, , adenocarcinoma do endométrio metaloproteinases de matriz hiperplasia quística transição epitélio-mesênquima |
| Ano: | 2017 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da UTAD |
| Resumo: | O útero da gata é um local pouco comum para o desenvolvimento de neoplasias. O adenocarcinoma do endométrio é uma neoplasia epitelial maligna, rara em animais domésticos, exceto coelhos e vacas. Contudo, estudos recentes referem que, na gata, este tipo de adenocarcinoma possa ser mais comum do que até aqui descrito. A ocorrência da transição epitélio-mesênquima (TEM) durante a progressão tumoral permite às células neoplásicas adquirirem a capacidade de infiltrar o tecido circundante e metastizar, formando um tumor secundário. Este processo está associado à perda ou baixa regulação dos marcadores epiteliais, tal como a caderina-E, que regula a adesão entre estas células. As metaloproteinases de matriz (MMPs) estão envolvidas na degradação da MEC. Em neoplasias malignas, promovem a progressão e metastização tumoral, assim como a TEM, ao reprimir, indiretamente, a caderina-E. Foi objetivo deste trabalho a identificação das MMP-1, -2 e -9 no endométrio cíclico e nas lesões uterinas da gata. A expressão da MMP-1, -2 e -9 foi estudada em amostras de útero de gata normais, na fase proliferativa (n = 6) e secretora (n = 8) do ciclo éstrico, assim como em amostras com inflamação (n = 6), hiperplasia quística (n = 8/9/12) e em adenocarcinomas do endométrio da gata (AEG) (n = 21/22). Usou-se a técnica de imunohistoquímica indireta com o anticorpo anti-MMP-1 (diluição 1:100), anti-MMP-2 (1:100) e anti-MMP-9 (1:150). A intensidade de marcação foi avaliada como ausente (zero), fraca (+), moderada (++) ou intensa (+++). Observou-se uma diminuição na expressão da MMP-1 e -9 com diferenças estatisticamente significativas (p < 0,05) em relação à fase estrogénica no caso das piómetras e hiperplasias quística, enquanto que esta diferença só se observou entre as AEGs e fase estrogénica para a MMP-1. Esta fase apresentou uma maior expressão da MMP-1 e -9 quando comparada a fase secretora. Contudo, não encontramos diferenças estatisticamente significativas na expressão da MMP-2 nos AEGs em relação ao útero normal, assim como para a piómetra e hiperplasia quística com o útero normal e também na comparação das fases normais. Este estudo revelou que o útero cíclico fisiológico apresenta uma maior expressão da MMP-1 e -9 na fase proliferativa, o que poderá estar relacionado com a remodelação celular que precede a maior expressão glandular da fase secretora. Contudo, contrariamente ao esperado, a expressão destas MMPs nos AEGs é significativamente menor que na fase proliferativa, contrastando com o descrito na literatura para esses tumores na mulher. Uma vez que a atividade das MMPs reprime, indiretamente, a caderina-E, quebrando as interações célula-célula e que esta pode ser modulada pelos seus inibidores (TIMPs) locais, são desejáveis estudos adicionais para esclarecer o papel das MMPs nos AEGs. |
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