Publicação
O percurso desportivo de atletas de alta competição no atletismo: conciliação entre sucesso desportivo e sucesso escolar
| Resumo: | Sem dúvida, que o desporto e a atividade física em geral são uma das principais atividades da nossa sociedade que captam a atenção de milhares de pessoas seja através da sua prática ou simplesmente como espetadores das mesmas. Porém, quando a prática desportiva se inicia em idades muito jovens, como é o caso do Atletismo, o atleta passa a ter no seu quotidiano duas atividades de grande exigência que, quando desempenhadas em simultâneo, podem colocar-lhe bastantes dificuldades, nomeadamente na conciliação dos estudos com os treinos. O atletismo é uma das modalidades mais rigorosas, diria até das mais exigentes, onde a tentativa de ir mais longe, de atingir um nível de excelência desportiva, implica um processo de muitos anos de treino, de muita dedicação e sacrifício. O que para um jovem atleta, cuja rotina implica sair da escola, ir treinar, chegar tarde a casa e ainda ter de estudar, se pode tornar bastante desgastante e consequentemente levar ao abandono escolar ou da própria modalidade. Assim, a presente investigação procurou perceber se os atletas conseguem conciliar o sucesso desportivo com o sucesso escolar, expondo as dificuldades e os apoios sentidos pelos mesmos ao longo da sua carreira desportiva, bem como analisar e comparar o percurso desportivos de atletas de diferentes níveis de performance. O estudo realizou-se com 59 atletas, de ambos os sexos (27 atletas masculinos e 32 femininos), todos praticantes da modalidade de atletismo, das especialidades velocidade (n=17), barreiras (n=10), saltos (n=12), lançamentos (n=4), meiofundo/ fundo (n=12) e marcha atlética (n=4). Dos 59 atletas, 41 são simultaneamente estudantes, o que equivale a 69,5% do total da amostra. Os atletas tinham idades compreendidas entre os 15 e 30 anos (21,68±3,76), e pertenciam aos escalões de juvenis (n=8), juniores (n=8), sub-23 (n=20) e seniores (n=23). O estudo desenvolvido é de carater qualitativo e quantitativo, sendo a recolha de dados efetuada através do inquérito dos Factores Psico-Sócio-Culturais-Português-1992 (FPSCPort-92) desenvolvido por Vasconcelos-Raposo (1993) e por nós adaptado. A técnica de análise de dados utilizada foi de dois tipos, para os dados numéricos recorreu-se ao tratamento estatistico (SPSS) e para os dados sob a forma de texto escrito recorreu-se à técnica de análise de conteúdo. Quanto aos apoios e dificuldades sentidas pelos atletas na conciliação do desporto com os estudos, as principais conclusões apontam que: i) os atletas afirmam ter dificuldades em conciliar o sucesso nos estudos com o desporto de alto rendimento; ii) as maiores dificuldades sentidas para conciliar os estudos com o desporto, são a conciliação dos horários, a falta de tempo e ainda o esgotamento físico e psicológico; iii) a família, comparando-a com as outras instituições (escola/clube/federação), é a que mais apoia os jovens atletas, fornecendo segundo os atletas um apoio incondicional (apoio financeiro, emocional, médico e logístico); iv) mais de metade dos elementos da amostra declararam não ter qualquer conhecimento das medidas de apoio existentes para atletas de alto rendimento e poucos usufruem das mesmas; v) consideram que não seriam melhores atletas se não estudassem, havendo no entanto uma tendência para sentirem que seriam melhores alunos se não competissem. Relativamente ao estudo da carreira desportiva, verificou-se que: i) não existiu qualquer influência dos pais quer no início da carreira desportiva, quer na escolha desportiva dos filhos, estes envolveram-se no desporto por vontade própria; ii) a eleição dos atletas para início da prática desportiva dividiu-se pelo clube e a escola, tendo a maioria praticado apenas uma modalidade (atletismo) ao longo da sua carreira desportiva; iii) existe uma relação entre o tempo dedicado ao treino e o rendimento alcançado quando considerado para a análise a idade dos atletas, os anos de prática desportiva, o número de treinos e o número de horas de treino semanais; iv) verificou-se um aumento gradual da frequência semanal de treino proporcional ao aumento da idade dos atletas; v) quanto aos fatores que contribuíram para o seu sucesso desportivo os atletas atribuíram maior importância à predisposição para treinar, à motivação para ganhar e à ajuda do treinador. Em termos genéricos, podemos concluir que a exigência desportiva verificada nos atletas de alta competição pode de facto influenciar a sua prestação escolar. No entanto, não podemos apontar o desporto como causador de insucesso escolar, pois verificamos que, para que os atletas consigam conciliar as duas atividades, é importante e necessário que as instituições coloquem em prática as medidas regulamentadas, cumprindo assim o que está estabelecido na lei para estes jovens atletas, e consequentemente ajudando-os na sua formação académica. |
|---|---|
| Autores principais: | Dias, Nelma Cristina Monteiro |
| Assunto: | Desporto Estudo Treino de alto rendimento Dificuldade Performance Apoios institucionais |
| Ano: | 2015 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da UTAD |
| Resumo: | Sem dúvida, que o desporto e a atividade física em geral são uma das principais atividades da nossa sociedade que captam a atenção de milhares de pessoas seja através da sua prática ou simplesmente como espetadores das mesmas. Porém, quando a prática desportiva se inicia em idades muito jovens, como é o caso do Atletismo, o atleta passa a ter no seu quotidiano duas atividades de grande exigência que, quando desempenhadas em simultâneo, podem colocar-lhe bastantes dificuldades, nomeadamente na conciliação dos estudos com os treinos. O atletismo é uma das modalidades mais rigorosas, diria até das mais exigentes, onde a tentativa de ir mais longe, de atingir um nível de excelência desportiva, implica um processo de muitos anos de treino, de muita dedicação e sacrifício. O que para um jovem atleta, cuja rotina implica sair da escola, ir treinar, chegar tarde a casa e ainda ter de estudar, se pode tornar bastante desgastante e consequentemente levar ao abandono escolar ou da própria modalidade. Assim, a presente investigação procurou perceber se os atletas conseguem conciliar o sucesso desportivo com o sucesso escolar, expondo as dificuldades e os apoios sentidos pelos mesmos ao longo da sua carreira desportiva, bem como analisar e comparar o percurso desportivos de atletas de diferentes níveis de performance. O estudo realizou-se com 59 atletas, de ambos os sexos (27 atletas masculinos e 32 femininos), todos praticantes da modalidade de atletismo, das especialidades velocidade (n=17), barreiras (n=10), saltos (n=12), lançamentos (n=4), meiofundo/ fundo (n=12) e marcha atlética (n=4). Dos 59 atletas, 41 são simultaneamente estudantes, o que equivale a 69,5% do total da amostra. Os atletas tinham idades compreendidas entre os 15 e 30 anos (21,68±3,76), e pertenciam aos escalões de juvenis (n=8), juniores (n=8), sub-23 (n=20) e seniores (n=23). O estudo desenvolvido é de carater qualitativo e quantitativo, sendo a recolha de dados efetuada através do inquérito dos Factores Psico-Sócio-Culturais-Português-1992 (FPSCPort-92) desenvolvido por Vasconcelos-Raposo (1993) e por nós adaptado. A técnica de análise de dados utilizada foi de dois tipos, para os dados numéricos recorreu-se ao tratamento estatistico (SPSS) e para os dados sob a forma de texto escrito recorreu-se à técnica de análise de conteúdo. Quanto aos apoios e dificuldades sentidas pelos atletas na conciliação do desporto com os estudos, as principais conclusões apontam que: i) os atletas afirmam ter dificuldades em conciliar o sucesso nos estudos com o desporto de alto rendimento; ii) as maiores dificuldades sentidas para conciliar os estudos com o desporto, são a conciliação dos horários, a falta de tempo e ainda o esgotamento físico e psicológico; iii) a família, comparando-a com as outras instituições (escola/clube/federação), é a que mais apoia os jovens atletas, fornecendo segundo os atletas um apoio incondicional (apoio financeiro, emocional, médico e logístico); iv) mais de metade dos elementos da amostra declararam não ter qualquer conhecimento das medidas de apoio existentes para atletas de alto rendimento e poucos usufruem das mesmas; v) consideram que não seriam melhores atletas se não estudassem, havendo no entanto uma tendência para sentirem que seriam melhores alunos se não competissem. Relativamente ao estudo da carreira desportiva, verificou-se que: i) não existiu qualquer influência dos pais quer no início da carreira desportiva, quer na escolha desportiva dos filhos, estes envolveram-se no desporto por vontade própria; ii) a eleição dos atletas para início da prática desportiva dividiu-se pelo clube e a escola, tendo a maioria praticado apenas uma modalidade (atletismo) ao longo da sua carreira desportiva; iii) existe uma relação entre o tempo dedicado ao treino e o rendimento alcançado quando considerado para a análise a idade dos atletas, os anos de prática desportiva, o número de treinos e o número de horas de treino semanais; iv) verificou-se um aumento gradual da frequência semanal de treino proporcional ao aumento da idade dos atletas; v) quanto aos fatores que contribuíram para o seu sucesso desportivo os atletas atribuíram maior importância à predisposição para treinar, à motivação para ganhar e à ajuda do treinador. Em termos genéricos, podemos concluir que a exigência desportiva verificada nos atletas de alta competição pode de facto influenciar a sua prestação escolar. No entanto, não podemos apontar o desporto como causador de insucesso escolar, pois verificamos que, para que os atletas consigam conciliar as duas atividades, é importante e necessário que as instituições coloquem em prática as medidas regulamentadas, cumprindo assim o que está estabelecido na lei para estes jovens atletas, e consequentemente ajudando-os na sua formação académica. |
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