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Avaliação eletrocardiográfica em gatos com cardiomiopatia hipertrófica

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Resumo A cardiomiopatia hipertrófica (CMH), a doença cardíaca mais frequente nos gatos, é uma doença primária do miocárdio caracterizada pela hipertrofia concêntrica do ventrículo esquerdo (VE) na ausência de outras causas de hipertrofia do VE. O átrio esquerdo (AE) pode encontrar-se dilatado devido à progressão da disfunção diastólica que caracteriza a CMH. O eletrocardiograma (ECG) é um exame complementar de diagnóstico não invasivo, barato e relativamente fácil de obter; é essencial para o diagnóstico e monitorização de arritmias e de distúrbios de condução e também pode fornecer indicação de aumento de determinada câmara cardíaca, nomeadamente do VE e do AE. No entanto, existem poucos estudos que analisaram o papel do ECG na CMH em gatos. Assim, o objetivo deste estudo prospetivo é avaliar as alterações do traçado eletrocardiográfico em gatos com CMH. Neste trabalho, foram analisados 29 traçados eletrocardiográficos de gatos que foram divididos em três grupos: Controlo – gatos saudáveis (n = 10); CMH – gatos com CMH e assintomáticos (n = 10); e CMH+IC – gatos com CMH e sintomáticos (n = 9). A população era constituída por 14 machos e 15 fêmeas, com idades compreendidas entre 6 meses e 19 anos (média de 6,56 anos), peso entre 2,10 e 6,06 Kg (média de 3,83 kg), e de várias raças (Europeu Comum, Persa e Siamês). Um gato do grupo CMH e um gato do grupo CMH+IC tinham bloqueio do fascículo anterior esquerdo; e dois gatos do grupo CMH+IC tinham fibrilhação atrial. Os gatos dos grupos CMH e CMH+IC apresentaram maior duração da onda P, maior duração do complexo QRS, maior duração do intervalo QT e desvio do eixo elétrico médio (EEM) à esquerda. Para além destas alterações eletrocardiográficas, a amplitude da onda P encontrava-se aumentada nos gatos com CMH e sintomáticos. A variabilidade da frequência cardíaca (VFC) foi significativamente inferior nos gatos dos grupos CMH e CMH+IC do que nos gatos sem doença cardíaca. A avaliação do ECG não foi útil para fornecer indicação de aumento do AE. Pelo contrário, forneceu indicação de aumento do VE, especialmente através da análise da duração do complexo QRS e da presença de desvio do EEM à esquerda. Tal como nos cães com doença cardíaca e nas pessoas com CMH, a VFC dos gatos com CMH foi inferior à dos gatos sem doença cardíaca. A utilização das derivações pré-cordiais foi vantajosa, porque, ao contrário da derivação II, permitiu a identificação de alterações eletrocardiográficas em gatos com CMH. Alguns resultados obtidos neste estudo foram estatisticamente significativos, no entanto, a população era pequena. Por isso, são necessários estudos futuros com uma população maior para corroborar estes resultados e para investigar a possibilidade de alguns parâmetros eletrocardiográficos serem utilizados como indicadores de diagnóstico em gatos com CMH
Autores principais:Xavier, Samanta Ferreira
Assunto:cardiomiopatia hipertrófica eletrocardiograma gato variabilidade da frequência cardíaca arritmia
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Idioma:português
Origem:Repositório da UTAD
Descrição
Resumo:Resumo A cardiomiopatia hipertrófica (CMH), a doença cardíaca mais frequente nos gatos, é uma doença primária do miocárdio caracterizada pela hipertrofia concêntrica do ventrículo esquerdo (VE) na ausência de outras causas de hipertrofia do VE. O átrio esquerdo (AE) pode encontrar-se dilatado devido à progressão da disfunção diastólica que caracteriza a CMH. O eletrocardiograma (ECG) é um exame complementar de diagnóstico não invasivo, barato e relativamente fácil de obter; é essencial para o diagnóstico e monitorização de arritmias e de distúrbios de condução e também pode fornecer indicação de aumento de determinada câmara cardíaca, nomeadamente do VE e do AE. No entanto, existem poucos estudos que analisaram o papel do ECG na CMH em gatos. Assim, o objetivo deste estudo prospetivo é avaliar as alterações do traçado eletrocardiográfico em gatos com CMH. Neste trabalho, foram analisados 29 traçados eletrocardiográficos de gatos que foram divididos em três grupos: Controlo – gatos saudáveis (n = 10); CMH – gatos com CMH e assintomáticos (n = 10); e CMH+IC – gatos com CMH e sintomáticos (n = 9). A população era constituída por 14 machos e 15 fêmeas, com idades compreendidas entre 6 meses e 19 anos (média de 6,56 anos), peso entre 2,10 e 6,06 Kg (média de 3,83 kg), e de várias raças (Europeu Comum, Persa e Siamês). Um gato do grupo CMH e um gato do grupo CMH+IC tinham bloqueio do fascículo anterior esquerdo; e dois gatos do grupo CMH+IC tinham fibrilhação atrial. Os gatos dos grupos CMH e CMH+IC apresentaram maior duração da onda P, maior duração do complexo QRS, maior duração do intervalo QT e desvio do eixo elétrico médio (EEM) à esquerda. Para além destas alterações eletrocardiográficas, a amplitude da onda P encontrava-se aumentada nos gatos com CMH e sintomáticos. A variabilidade da frequência cardíaca (VFC) foi significativamente inferior nos gatos dos grupos CMH e CMH+IC do que nos gatos sem doença cardíaca. A avaliação do ECG não foi útil para fornecer indicação de aumento do AE. Pelo contrário, forneceu indicação de aumento do VE, especialmente através da análise da duração do complexo QRS e da presença de desvio do EEM à esquerda. Tal como nos cães com doença cardíaca e nas pessoas com CMH, a VFC dos gatos com CMH foi inferior à dos gatos sem doença cardíaca. A utilização das derivações pré-cordiais foi vantajosa, porque, ao contrário da derivação II, permitiu a identificação de alterações eletrocardiográficas em gatos com CMH. Alguns resultados obtidos neste estudo foram estatisticamente significativos, no entanto, a população era pequena. Por isso, são necessários estudos futuros com uma população maior para corroborar estes resultados e para investigar a possibilidade de alguns parâmetros eletrocardiográficos serem utilizados como indicadores de diagnóstico em gatos com CMH