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A sociedade dos ecrãs : entre ver e ser visto
| Resumo: | Os ecrãs estão hoje por toda a parte. No nosso dia-a-dia encontramo-nos cada vez mais diante deles, e as previsões parecem apontar para a intensificação da tendência. Se a nossa vida está hoje eminentemente dentro do ecrã, por ele recebendo informação e acedendo ao outro e ao mundo, através dele construindo narrativas e a própria mundividência, devemos considerar que essa relação, tendencialmente permanente e ubíqua, influirá sobre as configurações da sociedade, modelando comportamentos e relações interpessoais. Para discutir e caracterizar os esquemas de controlo e vigilância possibilitados pela rede de ecrãs, propomos reflectir acerca das sociedades disciplinares, através de Foucault, das sociedades de controlo, com Deleuze, e dos seus contributos para pensar a actual sociedade ocidental, que identificamos como ecranizada. Neste âmbito, revisitamos o conceito de panóptico, de Jeremy Bentham, identificando a sua existência hoje enquanto panóptico digital, e dialogando com abordagens próximas, de autores contemporâneos, nomeadamente Ganascia e Mann, através das noções de sousveillance e catopticon, inversos da vigilância e do panóptico na sua acepção tradicional. A nossa perspectiva, porém, distingue-se no posicionamento em relação ao fenómeno, identificando o poder pela vigilância como algo que circula, disseminado por todo o tecido social, operando-se em todas as direcções e em simultâneo, a partir do momento em que todos os indivíduos integram de forma alargada a rede, manejando os seus ecrãs individuais e sendo convocados noutros. Através da análise de literatura de autores das teorias da comunicação, filosofia e sociologia, clássicos e contemporâneos, e, num segundo momento, através de entrevistas realizadas a utilizadores comuns de ecrãs e especialistas que com eles lidem, procuramos demonstrar a complexa e performativa relação entre os indivíduos e os ecrãs, e como estes segundos podem influir sobre a vida dos primeiros. Assinalando a necessidade de conhecer uma (hiper)realidade que hoje parece submergir os indivíduos, é nosso objectivo contribuir para futuras investigações na área, oferecendo um prisma pelo qual nos parece legítimo e útil abordar o fenómeno, numa sociedade crescentemente preocupada com a segurança e com a circulação da informação, e onde, cada vez mais, ver parece implicar ser visto. |
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| Autores principais: | Almeida, Hugo Picado de |
| Assunto: | Ecrã Ecranização Sociedade ecranizada Sociedades disciplinares Sociedades de controlo Panóptico Panóptico digital Vigilância Controlo Poder Screen Screenness Screened Disciplinary societies Control societies Panopticon Digital panopticon Surveillance Power |
| Ano: | 2012 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Católica Portuguesa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Veritati - Repositório Institucional da Universidade Católica Portuguesa |
| Resumo: | Os ecrãs estão hoje por toda a parte. No nosso dia-a-dia encontramo-nos cada vez mais diante deles, e as previsões parecem apontar para a intensificação da tendência. Se a nossa vida está hoje eminentemente dentro do ecrã, por ele recebendo informação e acedendo ao outro e ao mundo, através dele construindo narrativas e a própria mundividência, devemos considerar que essa relação, tendencialmente permanente e ubíqua, influirá sobre as configurações da sociedade, modelando comportamentos e relações interpessoais. Para discutir e caracterizar os esquemas de controlo e vigilância possibilitados pela rede de ecrãs, propomos reflectir acerca das sociedades disciplinares, através de Foucault, das sociedades de controlo, com Deleuze, e dos seus contributos para pensar a actual sociedade ocidental, que identificamos como ecranizada. Neste âmbito, revisitamos o conceito de panóptico, de Jeremy Bentham, identificando a sua existência hoje enquanto panóptico digital, e dialogando com abordagens próximas, de autores contemporâneos, nomeadamente Ganascia e Mann, através das noções de sousveillance e catopticon, inversos da vigilância e do panóptico na sua acepção tradicional. A nossa perspectiva, porém, distingue-se no posicionamento em relação ao fenómeno, identificando o poder pela vigilância como algo que circula, disseminado por todo o tecido social, operando-se em todas as direcções e em simultâneo, a partir do momento em que todos os indivíduos integram de forma alargada a rede, manejando os seus ecrãs individuais e sendo convocados noutros. Através da análise de literatura de autores das teorias da comunicação, filosofia e sociologia, clássicos e contemporâneos, e, num segundo momento, através de entrevistas realizadas a utilizadores comuns de ecrãs e especialistas que com eles lidem, procuramos demonstrar a complexa e performativa relação entre os indivíduos e os ecrãs, e como estes segundos podem influir sobre a vida dos primeiros. Assinalando a necessidade de conhecer uma (hiper)realidade que hoje parece submergir os indivíduos, é nosso objectivo contribuir para futuras investigações na área, oferecendo um prisma pelo qual nos parece legítimo e útil abordar o fenómeno, numa sociedade crescentemente preocupada com a segurança e com a circulação da informação, e onde, cada vez mais, ver parece implicar ser visto. |
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