Publicação
Thomas Paine: um kantiano avant la lettre e o papel da constituição republicana para a promoção da paz
| Resumo: | Não se pode estabelecer uma ligação efetiva entre os escritos de Thomas Paine e de Kant: a profundidade de tratamento dos temas e o ponto de partida para a sua discussão são distintos nestes dois autores, e Thomas Paine está longe de ser uma referência nos escritos políticos de Immanuel Kant. É inquestionável, no entanto, que existem pontos de contacto entre estes pensadores que, apesar de provirem de ambientes intelectuais tão diferentes, a história uniu num mesmo século, e a quem deu palcos tão distintos, ambos de grande relevância na sua época. As discussões teóricas acerca das transformações políticas e sociais da Europa do Século XVIII revelam inquietações filosóficas semelhantes, provenientes dos mais variados quadrantes. Umas, estão teoricamente bem estruturadas, como aquelas que aparecem em textos de Jean Jacques Rousseau e de Immanuel Kant. Outras, parecem não ser mais do que intuições de autodidatas e polemistas; estão neste caso os escritos de Thomas Paine.A escrita de Paine deu voz a muitas ideias que circulavam nas discussões intelectuais do seu tempo, mas antecipou também outras que viriam mais tarde a ser plenamente desenvolvidas, por vezes num sentido completamente diferente, por autores tão proeminentes como Kant. Neste sentido, a leitura simultânea de textos de Paine, como Rights of Man ou Dissertations on Government, The Affairs of the Bank and Paper Money, e do texto de Kant Zum ewigen Frieden permite identificar um conjunto de temas e de inquietações que atravessam os vários textos. O pensamento criativo, se bem que teoricamente pouco estruturado, de Paine parece ter antecipado noções que virão a ser exploradas por Kant, certamente com um alcance e sentido diferentes, no seu opúsculo acerca da paz, Zum ewigen Frieden. O presente artigo ilustrará como a “razão na história” antecipou nos textos de Thomas Paine alguns dos temas tratados por Immanuel Kant naquele opúsculo. |
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| Autores principais: | Moreira, Ivone |
| Assunto: | Kant Paine Cosmopolitismo Constituição Republicana Revolução Francesa Republicanismo Paz Cosmopolitanism Republican Constitution French Revolution Republicanism Peace |
| Ano: | 2022 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | artigo |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Católica Portuguesa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Veritati - Repositório Institucional da Universidade Católica Portuguesa |
| Resumo: | Não se pode estabelecer uma ligação efetiva entre os escritos de Thomas Paine e de Kant: a profundidade de tratamento dos temas e o ponto de partida para a sua discussão são distintos nestes dois autores, e Thomas Paine está longe de ser uma referência nos escritos políticos de Immanuel Kant. É inquestionável, no entanto, que existem pontos de contacto entre estes pensadores que, apesar de provirem de ambientes intelectuais tão diferentes, a história uniu num mesmo século, e a quem deu palcos tão distintos, ambos de grande relevância na sua época. As discussões teóricas acerca das transformações políticas e sociais da Europa do Século XVIII revelam inquietações filosóficas semelhantes, provenientes dos mais variados quadrantes. Umas, estão teoricamente bem estruturadas, como aquelas que aparecem em textos de Jean Jacques Rousseau e de Immanuel Kant. Outras, parecem não ser mais do que intuições de autodidatas e polemistas; estão neste caso os escritos de Thomas Paine.A escrita de Paine deu voz a muitas ideias que circulavam nas discussões intelectuais do seu tempo, mas antecipou também outras que viriam mais tarde a ser plenamente desenvolvidas, por vezes num sentido completamente diferente, por autores tão proeminentes como Kant. Neste sentido, a leitura simultânea de textos de Paine, como Rights of Man ou Dissertations on Government, The Affairs of the Bank and Paper Money, e do texto de Kant Zum ewigen Frieden permite identificar um conjunto de temas e de inquietações que atravessam os vários textos. O pensamento criativo, se bem que teoricamente pouco estruturado, de Paine parece ter antecipado noções que virão a ser exploradas por Kant, certamente com um alcance e sentido diferentes, no seu opúsculo acerca da paz, Zum ewigen Frieden. O presente artigo ilustrará como a “razão na história” antecipou nos textos de Thomas Paine alguns dos temas tratados por Immanuel Kant naquele opúsculo. |
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