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Introdução ao dossier temático: periferia enquanto processo e espaço

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Este dossier propõe uma reflexão crítica sobre o conceito de periferia, enquanto categoria espacial ou geográfica e como um processo dinâmico, relacional e multidimensional. Partindo do questionamento das leituras que opõem centro e periferia segundo lógicas de distância, privação e subordinação, a periferia é enquadrada como espaço material e simbólico produzido por relações de poder, dinâmicas capitalistas e práticas sociais, culturais e estéticas de resistência. Ao mobilizar contributos da geografia crítica, da sociologia urbana e dos estudos culturais, defende-se a distinção entre periferia geográfica e periferização enquanto processo histórico e político que pode decorrer em zonas remotas e no interior de territórios centrais. O dossier destaca, também, a produtividade social, cultural e epistemológica das periferias, sublinhando o seu papel enquanto espaço de inovação, de cidadanias insurgentes e de produção de conhecimento. Neste contexto, a paisagem, enquanto dispositivo relacional que condensa temporalidades, regimes de visibilidade e práticas espaciais, permite compreender como os territórios periféricos são vividos, disputados e representados. Medium de representação e prática geradora de espaço, de memória e de pensamento crítico, o cinema ocupa, naturalmente, um lugar central nesta abordagem. Ao analisar filmes e cinematografias provenientes de diferentes contextos geográficos e históricos, os ensaios aqui reunidos questionam estéticas contra-hegemónicas e formas de resistência simbólica. Assim, “Espaços Periféricos” confirma a periferia como lugar epistemológico e o cinema como ferramenta crítica capaz de desestabilizar hierarquias, questionar imaginários dominantes e reconfigurar os modos de ver e pensar o mundo contemporâneo.
Autores principais:Rosário, Filipa
Outros Autores:Francisco, André; Rebelatto, Fran
Assunto:Cinema contemporâneo Contemporary cinema Counter-hegemonic aesthetics Espaço periférico Estéticas contra-hegemónicas Filmic landscape Paisagem fílmica Periferia Peripheral space Periphery
Ano:2026
País:Portugal
Tipo de documento:artigo original
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Católica Portuguesa
Idioma:português
Origem:Veritati - Repositório Institucional da Universidade Católica Portuguesa
Descrição
Resumo:Este dossier propõe uma reflexão crítica sobre o conceito de periferia, enquanto categoria espacial ou geográfica e como um processo dinâmico, relacional e multidimensional. Partindo do questionamento das leituras que opõem centro e periferia segundo lógicas de distância, privação e subordinação, a periferia é enquadrada como espaço material e simbólico produzido por relações de poder, dinâmicas capitalistas e práticas sociais, culturais e estéticas de resistência. Ao mobilizar contributos da geografia crítica, da sociologia urbana e dos estudos culturais, defende-se a distinção entre periferia geográfica e periferização enquanto processo histórico e político que pode decorrer em zonas remotas e no interior de territórios centrais. O dossier destaca, também, a produtividade social, cultural e epistemológica das periferias, sublinhando o seu papel enquanto espaço de inovação, de cidadanias insurgentes e de produção de conhecimento. Neste contexto, a paisagem, enquanto dispositivo relacional que condensa temporalidades, regimes de visibilidade e práticas espaciais, permite compreender como os territórios periféricos são vividos, disputados e representados. Medium de representação e prática geradora de espaço, de memória e de pensamento crítico, o cinema ocupa, naturalmente, um lugar central nesta abordagem. Ao analisar filmes e cinematografias provenientes de diferentes contextos geográficos e históricos, os ensaios aqui reunidos questionam estéticas contra-hegemónicas e formas de resistência simbólica. Assim, “Espaços Periféricos” confirma a periferia como lugar epistemológico e o cinema como ferramenta crítica capaz de desestabilizar hierarquias, questionar imaginários dominantes e reconfigurar os modos de ver e pensar o mundo contemporâneo.