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Emoções, cognição e variação intralinguística e cultural

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A hipótese central do presente estudo é a ideia de que as emoções têm uma base biológica, mas são social e culturalmente construídas. Como experiências fisiológicas condicionadas pela cultura e intersubjetivamente manifestadas, as emoções são permeáveis à variação social e a influências culturais. O modo como as emoções são conceptualizadas, percebidas, experienciadas, comunicadas, (não) controladas e avaliadas pode diferir entre sociedades e culturas e não só entre línguas diferentes como também dentro da mesma língua. Este estudo explora a conceptualização cultural das emoções nas duas principais variedades nacionais do português, isto é, português europeu (PE) e português brasileiro (PB). Assumindo uma perspetiva sociocognitiva da linguagem e implementando uma metodologia baseada em corpus e em perfis, o estudo integra uma análise qualitativa multifatorial, em termos de perfis onomasiológicos de traços semânticos e de metáforas conceptuais, de mais de um milhar de exemplos de raiva , orgulho e amor, extraídos de um corpus de blogues, e uma subsequente análise quantitativa multivariada. As diferenças na estruturação conceptual e na representação metafórica destas emoções entre PE e PB correlacionam-se com a cultura relativamente mais individualista e emocionalmente mais expressiva do Brasil e a cultura portuguesa, comparativamente mais coletivista. Os resultados do presente estudo trazem evidências empíricas sobre a variabilidade cultural das emoções numa mesma língua pluricêntrica e, num plano mais geral, sobre a interação entre emoção, linguagem, cognição e cultura e a importância da chamada “viragem social e empírica” da Linguística Cognitiva.
Autores principais:Silva, Augusto Soares da
Assunto:Emoções Variação linguística Língua pluricêntrica Metáfora conceptual Corporização Cognição social Coletivismo vs. individualismo Metodologia multifatorial e multivariada Análise de corpus Português europeu e brasileiro Emotions Language variation Pluricentric language Conceptual metaphor Embodiment Social cognition Collectivism vs. individualism Multifactorial and multivariate methodology Corpus analysis European and Brazilian Portuguese
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:capítulo de livro
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Católica Portuguesa
Idioma:português
Origem:Veritati - Repositório Institucional da Universidade Católica Portuguesa
Descrição
Resumo:A hipótese central do presente estudo é a ideia de que as emoções têm uma base biológica, mas são social e culturalmente construídas. Como experiências fisiológicas condicionadas pela cultura e intersubjetivamente manifestadas, as emoções são permeáveis à variação social e a influências culturais. O modo como as emoções são conceptualizadas, percebidas, experienciadas, comunicadas, (não) controladas e avaliadas pode diferir entre sociedades e culturas e não só entre línguas diferentes como também dentro da mesma língua. Este estudo explora a conceptualização cultural das emoções nas duas principais variedades nacionais do português, isto é, português europeu (PE) e português brasileiro (PB). Assumindo uma perspetiva sociocognitiva da linguagem e implementando uma metodologia baseada em corpus e em perfis, o estudo integra uma análise qualitativa multifatorial, em termos de perfis onomasiológicos de traços semânticos e de metáforas conceptuais, de mais de um milhar de exemplos de raiva , orgulho e amor, extraídos de um corpus de blogues, e uma subsequente análise quantitativa multivariada. As diferenças na estruturação conceptual e na representação metafórica destas emoções entre PE e PB correlacionam-se com a cultura relativamente mais individualista e emocionalmente mais expressiva do Brasil e a cultura portuguesa, comparativamente mais coletivista. Os resultados do presente estudo trazem evidências empíricas sobre a variabilidade cultural das emoções numa mesma língua pluricêntrica e, num plano mais geral, sobre a interação entre emoção, linguagem, cognição e cultura e a importância da chamada “viragem social e empírica” da Linguística Cognitiva.