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Experiência da realização de uma interrupção voluntária da gravidez (IVG) : dois anos depois

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Resumo:Atualmente, não existe concordância entre alguns dos estudos, acerca das consequências psicológicas da IVG. Por um lado, prevalece a assunção de que a decisão de interromper uma gravidez pode conduzir ao desenvolvimento de problemas de saúde mental em diversos níveis (e.g. Cameron & Dean, 2010). Por outro, surgem frequentemente, evidências de que apenas algumas mulheres, experimentam reações negativas após a IVG ou sintomas psicológicos clinicamente significativos (e.g. Robinson, Stotland, Russo, Lang & Occhiogrosso, 2009). Contudo, é consensual que sendo as consequências psicológicas da IVG complexas, deverá ser dada atenção a alguns aspetos que lhe estão subjacentes, nomeadamente, a sexualidade, a contraceção e os relacionamentos interpessoais, no sentido de se caracterizar a diversidade de experiencias e significados desta experiencia (e.g. Major, Appelbaum, Beckam, Dutton, Russo & West, 2008). Constitui-se como objetivo geral, para este estudo, a exploração da vivência do processo da IVG e o seu impacto na vida de mulheres que realizaram este procedimento há dois anos. Esta exploração, foca-se ao nível da saúde mental, do planeamento familiar e contraceção, do suporte social e relações interpessoais, das relações íntimas, da vivência do processo de IVG e do posicionamento face à mesma. Sendo este um estudo qualitativo e abarcando uma dimensão semi-indutiva, procedeu-se à realização de entrevistas em profundidade a seis mulheres, e posteriormente à análise do conteúdo que conduziu a um sistema de categorias. Concluiu-se que a capacidade para lidar com a IVG é maioritariamente positiva, não sendo atualmente visível um impacto significativo ao nível do diagnóstico psicopatológico e das relações íntimas e interpessoais. Seguidamente, verificou-se que a IVG foi determinante nas atitudes relativas à utilização de contraceção como forma de prevenir uma gravidez indesejada. Por último, concluiu-se que a passagem do tempo após a IVG, teve impacto nas formas de sentir, de comportar e de ver a vida.
Autores principais:Azeredo, Helena Isabel Cardoso
Assunto:Interrupção voluntária da gravidez Consequências psicológicas Saúde mental Relações íntimas Planeamento familiar e contraceção Induced abortion Psychological consequences Mental health Intimate relationships Family planning and contraception
Ano:2013
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Católica Portuguesa
Idioma:português
Origem:Veritati - Repositório Institucional da Universidade Católica Portuguesa
Descrição
Resumo:Atualmente, não existe concordância entre alguns dos estudos, acerca das consequências psicológicas da IVG. Por um lado, prevalece a assunção de que a decisão de interromper uma gravidez pode conduzir ao desenvolvimento de problemas de saúde mental em diversos níveis (e.g. Cameron & Dean, 2010). Por outro, surgem frequentemente, evidências de que apenas algumas mulheres, experimentam reações negativas após a IVG ou sintomas psicológicos clinicamente significativos (e.g. Robinson, Stotland, Russo, Lang & Occhiogrosso, 2009). Contudo, é consensual que sendo as consequências psicológicas da IVG complexas, deverá ser dada atenção a alguns aspetos que lhe estão subjacentes, nomeadamente, a sexualidade, a contraceção e os relacionamentos interpessoais, no sentido de se caracterizar a diversidade de experiencias e significados desta experiencia (e.g. Major, Appelbaum, Beckam, Dutton, Russo & West, 2008). Constitui-se como objetivo geral, para este estudo, a exploração da vivência do processo da IVG e o seu impacto na vida de mulheres que realizaram este procedimento há dois anos. Esta exploração, foca-se ao nível da saúde mental, do planeamento familiar e contraceção, do suporte social e relações interpessoais, das relações íntimas, da vivência do processo de IVG e do posicionamento face à mesma. Sendo este um estudo qualitativo e abarcando uma dimensão semi-indutiva, procedeu-se à realização de entrevistas em profundidade a seis mulheres, e posteriormente à análise do conteúdo que conduziu a um sistema de categorias. Concluiu-se que a capacidade para lidar com a IVG é maioritariamente positiva, não sendo atualmente visível um impacto significativo ao nível do diagnóstico psicopatológico e das relações íntimas e interpessoais. Seguidamente, verificou-se que a IVG foi determinante nas atitudes relativas à utilização de contraceção como forma de prevenir uma gravidez indesejada. Por último, concluiu-se que a passagem do tempo após a IVG, teve impacto nas formas de sentir, de comportar e de ver a vida.