Publicação
Uma gaveta de facas sempre aberta : cómico e desfiguração da História de Portugal na escrita de Lobo Antunes
| Resumo: | Esta investigação pretende estudar o declínio da ideia de Portugal-império, pela revisitação temática dos efeitos trágicos da Descolonização, tendo como mote quatro obras de Lobo Antunes: Os Cus de Judas, As Naus, O Esplendor de Portugal e Comissão das Lágrimas, cuja escrita se erige, no contexto da literatura pós-moderna e nos propõe uma visão desassombrada e desmistificadora da História de Portugal. Da sua escrita transparece um território tenso entre a História e a literatura, tendo em conta o caráter pernicioso da sonegação de factos levada a cabo pelos historiadores oficiais, no que a esta época diz respeito. O autor alicerça a sua crítica em processos de cómico, expondo, num tom exacerbado, impiedoso, inconveniente, grotesco e feroz, críticas iconoclastas à política de Salazar e aos seus aliados (da Igreja Católica, v.g.), dessacralizando o poder político e eclesiástico, e ironizando com a narração falaciosa da História. Esta aliança perniciosa entre Trono e Altar, hasteada na tríade de valores Deus, Pátria e Família, é, assumidamente, censurada nas quatro obras, delatando a decadência da elite colonial e os efeitos devastadores da Descolonização. Destarte, a escrita-reação lobo antuniana critica, acerbadamente, o regime salazarista que forçou milhares de soldados a lutar por um falso ideal patriótico e transforma-se na voz dos silenciados. De cariz confessional e testemunhal, tendo em conta que o próprio escritor foi coagido, no cumprimento do serviço militar obrigatório, a deslocar-se para a guerra, os romances analisados expõem o conflito de identidade do homem contemporâneo, ensombrado pelo mítico passado glorioso e enfatizam o processo de dilaceração individual e coletivo de todos os intervenientes na Guerra Colonial. Portanto, para além do resgate das memórias traumáticas, a ficção confere-lhes a possibilidade de exorcizar e expurgar a violenta experiência psicológica a que foram expostos. |
|---|---|
| Autores principais: | Coutinho, Elsa Raquel Marinho |
| Assunto: | Salazar Estado Novo Guerra Colonial 25 de Abril de 1974 Lobo Antunes Pós-modernismo Identidade Memória Cómico Humor Paródia Carnavalização New Regime Colonial War April 25, 1974 Postmodernism Identity Memory Comic Humour Parody Carnivalization |
| Ano: | 2018 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Católica Portuguesa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Veritati - Repositório Institucional da Universidade Católica Portuguesa |
| Resumo: | Esta investigação pretende estudar o declínio da ideia de Portugal-império, pela revisitação temática dos efeitos trágicos da Descolonização, tendo como mote quatro obras de Lobo Antunes: Os Cus de Judas, As Naus, O Esplendor de Portugal e Comissão das Lágrimas, cuja escrita se erige, no contexto da literatura pós-moderna e nos propõe uma visão desassombrada e desmistificadora da História de Portugal. Da sua escrita transparece um território tenso entre a História e a literatura, tendo em conta o caráter pernicioso da sonegação de factos levada a cabo pelos historiadores oficiais, no que a esta época diz respeito. O autor alicerça a sua crítica em processos de cómico, expondo, num tom exacerbado, impiedoso, inconveniente, grotesco e feroz, críticas iconoclastas à política de Salazar e aos seus aliados (da Igreja Católica, v.g.), dessacralizando o poder político e eclesiástico, e ironizando com a narração falaciosa da História. Esta aliança perniciosa entre Trono e Altar, hasteada na tríade de valores Deus, Pátria e Família, é, assumidamente, censurada nas quatro obras, delatando a decadência da elite colonial e os efeitos devastadores da Descolonização. Destarte, a escrita-reação lobo antuniana critica, acerbadamente, o regime salazarista que forçou milhares de soldados a lutar por um falso ideal patriótico e transforma-se na voz dos silenciados. De cariz confessional e testemunhal, tendo em conta que o próprio escritor foi coagido, no cumprimento do serviço militar obrigatório, a deslocar-se para a guerra, os romances analisados expõem o conflito de identidade do homem contemporâneo, ensombrado pelo mítico passado glorioso e enfatizam o processo de dilaceração individual e coletivo de todos os intervenientes na Guerra Colonial. Portanto, para além do resgate das memórias traumáticas, a ficção confere-lhes a possibilidade de exorcizar e expurgar a violenta experiência psicológica a que foram expostos. |
|---|