Publicação

Medicamentos pediátricos e cárie dentária : perceções e atitudes dos médicos de medicina geral e familiar

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Introdução: A grande maioria dos medicamentos líquidos desenvolvidos para crianças têm na sua composição algum tipo de açúcar, de forma a tornar a sua ingestão mais agradável, o que lhes confere um potencial cariogénico aumentado. Os médicos de medicina geral e familiar estão envolvidos no acompanhamento do paciente pediátrico, na função de controlar a sua saúde sistémica que exige, muitas vezes, a prescrição de medicamentos líquidos infantis. Como promotores de saúde, que contactam rotineiramente com os pacientes pediátricos, esta especialidade médica tem um papel muito importante na prevenção de patologias orais, das quais a cárie possui grande destaque. O objetivo geral deste estudo foi avaliar, numa análise descritiva, as perceções e atitudes destes profissionais de saúde face ao potencial cariogénico dos medicamentos líquidos pediátricos, quando estes são administrados de forma regular, tendo em conta a composição açucarada dos mesmos e os fatores causais e predisponentes da patologia indicada. Material e Métodos: Efetuou-se um questionário on-line a 107 médicos de medicina geral e familiar, a nível nacional. Foi realizada uma pesquisa na bula dos diferentes fármacos mais prescritos através do Infarmed. Resultados: 86% dos médicos de medicina geral e familiar considera haver uma relação entre a toma de medicamentos líquidos pediátricos e o aparecimento de lesões de cárie, o que demonstra uma consciência razoável quanto à relação entre o uso de medicamentos líquidos pediátricos, de modo prolongado, e os defeitos dentários que podem advir do mesmo, devido ao seu forte potencial cariogénico. No entanto, apenas 26,2% dos mesmos médicos alertam para a importância de realizar check-ups dentários, quando o paciente toma medicamentos líquidos pediátricos, de forma regular. Além disso, a maior percentagem de clínicos não realiza recomendação de bochechos de água, após a toma (83,2%). De igual forma, mais de metade dos profissionais de saúde não motiva ou instrui para a higiene oral (54,2%), após a toma do medicamento. À exceção de dois clínicos, todos os outros (98,1%) não recomendam o uso de pastilha elástica, sem açúcar, após a toma dos fármacos. Conclusões: Conclui-se assim, que a grande maioria dos médicos de medicina geral e familiar não aconselha qualquer tipo de cuidado médico dentário preventivo/intercetivo, após a toma do medicamento líquido pediátrico, o que demonstra que, apesar de terem conhecimento do problema, existe falta de sensibilização dos mesmos para esta temática.
Autores principais:Monteiro, Débora Rafaela Soares
Assunto:Cárie dentária Medicamentos pediátricos Prescrição medicamentos Medicina geral e familiar Tooth decay Pacientes pediátricos Pediatric medicines Prescription drugs Family medicine Pediatric
Ano:2016
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Católica Portuguesa
Idioma:português
Origem:Veritati - Repositório Institucional da Universidade Católica Portuguesa
Descrição
Resumo:Introdução: A grande maioria dos medicamentos líquidos desenvolvidos para crianças têm na sua composição algum tipo de açúcar, de forma a tornar a sua ingestão mais agradável, o que lhes confere um potencial cariogénico aumentado. Os médicos de medicina geral e familiar estão envolvidos no acompanhamento do paciente pediátrico, na função de controlar a sua saúde sistémica que exige, muitas vezes, a prescrição de medicamentos líquidos infantis. Como promotores de saúde, que contactam rotineiramente com os pacientes pediátricos, esta especialidade médica tem um papel muito importante na prevenção de patologias orais, das quais a cárie possui grande destaque. O objetivo geral deste estudo foi avaliar, numa análise descritiva, as perceções e atitudes destes profissionais de saúde face ao potencial cariogénico dos medicamentos líquidos pediátricos, quando estes são administrados de forma regular, tendo em conta a composição açucarada dos mesmos e os fatores causais e predisponentes da patologia indicada. Material e Métodos: Efetuou-se um questionário on-line a 107 médicos de medicina geral e familiar, a nível nacional. Foi realizada uma pesquisa na bula dos diferentes fármacos mais prescritos através do Infarmed. Resultados: 86% dos médicos de medicina geral e familiar considera haver uma relação entre a toma de medicamentos líquidos pediátricos e o aparecimento de lesões de cárie, o que demonstra uma consciência razoável quanto à relação entre o uso de medicamentos líquidos pediátricos, de modo prolongado, e os defeitos dentários que podem advir do mesmo, devido ao seu forte potencial cariogénico. No entanto, apenas 26,2% dos mesmos médicos alertam para a importância de realizar check-ups dentários, quando o paciente toma medicamentos líquidos pediátricos, de forma regular. Além disso, a maior percentagem de clínicos não realiza recomendação de bochechos de água, após a toma (83,2%). De igual forma, mais de metade dos profissionais de saúde não motiva ou instrui para a higiene oral (54,2%), após a toma do medicamento. À exceção de dois clínicos, todos os outros (98,1%) não recomendam o uso de pastilha elástica, sem açúcar, após a toma dos fármacos. Conclusões: Conclui-se assim, que a grande maioria dos médicos de medicina geral e familiar não aconselha qualquer tipo de cuidado médico dentário preventivo/intercetivo, após a toma do medicamento líquido pediátrico, o que demonstra que, apesar de terem conhecimento do problema, existe falta de sensibilização dos mesmos para esta temática.