Publicação
Consulta de enfermagem domiciliária
| Resumo: | A mudança do perfil demográfico da população portuguesa conduziu a uma alteração significativa no ambiente em que se desenvolve a prestação de cuidados de saúde. O envelhecimento demográfico trouxe um aumento do número de pessoas com doenças crónico-degenerativas e de idosos com dependência funcional. Neste quadro, a família afirmou-se como um parceiro e um importante recurso dos serviços de saúde na prestação de cuidados a idosos com défice no auto cuidado. O domicílio é o local privilegiado para a prestação de cuidados a estes utentes e seus familiares, por proporcionar a possibilidade de avaliar e intervir sobre os fatores familiares, socioculturais e económicos, que influenciam o contexto e o resultado dos cuidados de enfermagem. No entanto, a prestação de cuidados no domicílio coloca o enfermeiro num ambiente de maior complexidade e imprevisibilidade assim como perante a necessidade de assumir um conjunto de papéis mais abrangente. O presente relatório descreve de forma sucinta e reflexiva, o percurso de construção de competências específicas para a intervenção especializada em enfermagem comunitária e no domínio da investigação científica. Para efetuar o diagnóstico de saúde, realizamos um estudo descritivo transversal, com o objetivo de estudar os idosos admitidos pela equipa de cuidados continuados integrados e os seus prestadores de cuidados. Os principais problemas encontrados foram as quedas (50% dos idosos caíram no último ano), a sobrecarga do prestador de cuidados (57% apresentavam sobrecarga elevada e 43% sobrecarga moderada) e a intervenção de enfermagem no domicílio. Nomeadamente, percecionamos que a utilização sistemática de escalas validadas para a população portuguesa permitiria uniformizar e alargar o âmbito da avaliação que os enfermeiros fazem dos idosos dependentes e dos seus cuidadores. Após a determinação de prioridades, através da comparação por pares, emergiu como prioritária a necessidade de sistematizar a intervenção de enfermagem no domicílio. Planeamos o projeto de intervenção comunitária ―Consulta de Enfermagem Domiciliária‖, que englobava objetivos e estratégias a curto, médio e longo prazo. As estratégias implementadas passaram pela realização de formação sobre a avaliação e intervenção de enfermagem ao idoso dependente e ao seu cuidador, tendo-se registado um ganho de 13% no conhecimento dos enfermeiros. Foram ainda elaborados cartazes com o intuito de informar a população em geral sobre o papel do enfermeiro na prevenção das úlceras de pressão e na redução das idas à urgência do dependente. Como estratégia de médio prazo definimos a elaboração de um Manual de Boas Práticas para a Consulta de Enfermagem Domiciliária, que sirva de referência a todos os enfermeiros. A longo prazo, previmos a replicação do estudo inicial, como forma de avaliar o impacto da implementação do projeto de intervenção e o estabelecimento de um protocolo de articulação com o centro hospitalar de referência, relativo à transferência de vítimas de acidente vascular cerebral para o domicílio. Após a implementação do Projeto de Intervenção Comunitária, o ACeS assumiu a necessidade uniformizar procedimentos nesta área de prestação de cuidados, tendo realizado a divulgação deste trabalho a todos os profissionais e iniciado a elaboração do Manual de Boas Práticas da Consulta de Enfermagem Domiciliária |
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| Autores principais: | Pinto, Marco Aurélio Ferreira |
| Assunto: | Envelhecimento Idoso Autonomia Dependência Prestador de cuidados Enfermagem comunitária Aging Elderly Autonomy Dependency Caregiver Community Nursing |
| Ano: | 2016 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Católica Portuguesa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Veritati - Repositório Institucional da Universidade Católica Portuguesa |
| Resumo: | A mudança do perfil demográfico da população portuguesa conduziu a uma alteração significativa no ambiente em que se desenvolve a prestação de cuidados de saúde. O envelhecimento demográfico trouxe um aumento do número de pessoas com doenças crónico-degenerativas e de idosos com dependência funcional. Neste quadro, a família afirmou-se como um parceiro e um importante recurso dos serviços de saúde na prestação de cuidados a idosos com défice no auto cuidado. O domicílio é o local privilegiado para a prestação de cuidados a estes utentes e seus familiares, por proporcionar a possibilidade de avaliar e intervir sobre os fatores familiares, socioculturais e económicos, que influenciam o contexto e o resultado dos cuidados de enfermagem. No entanto, a prestação de cuidados no domicílio coloca o enfermeiro num ambiente de maior complexidade e imprevisibilidade assim como perante a necessidade de assumir um conjunto de papéis mais abrangente. O presente relatório descreve de forma sucinta e reflexiva, o percurso de construção de competências específicas para a intervenção especializada em enfermagem comunitária e no domínio da investigação científica. Para efetuar o diagnóstico de saúde, realizamos um estudo descritivo transversal, com o objetivo de estudar os idosos admitidos pela equipa de cuidados continuados integrados e os seus prestadores de cuidados. Os principais problemas encontrados foram as quedas (50% dos idosos caíram no último ano), a sobrecarga do prestador de cuidados (57% apresentavam sobrecarga elevada e 43% sobrecarga moderada) e a intervenção de enfermagem no domicílio. Nomeadamente, percecionamos que a utilização sistemática de escalas validadas para a população portuguesa permitiria uniformizar e alargar o âmbito da avaliação que os enfermeiros fazem dos idosos dependentes e dos seus cuidadores. Após a determinação de prioridades, através da comparação por pares, emergiu como prioritária a necessidade de sistematizar a intervenção de enfermagem no domicílio. Planeamos o projeto de intervenção comunitária ―Consulta de Enfermagem Domiciliária‖, que englobava objetivos e estratégias a curto, médio e longo prazo. As estratégias implementadas passaram pela realização de formação sobre a avaliação e intervenção de enfermagem ao idoso dependente e ao seu cuidador, tendo-se registado um ganho de 13% no conhecimento dos enfermeiros. Foram ainda elaborados cartazes com o intuito de informar a população em geral sobre o papel do enfermeiro na prevenção das úlceras de pressão e na redução das idas à urgência do dependente. Como estratégia de médio prazo definimos a elaboração de um Manual de Boas Práticas para a Consulta de Enfermagem Domiciliária, que sirva de referência a todos os enfermeiros. A longo prazo, previmos a replicação do estudo inicial, como forma de avaliar o impacto da implementação do projeto de intervenção e o estabelecimento de um protocolo de articulação com o centro hospitalar de referência, relativo à transferência de vítimas de acidente vascular cerebral para o domicílio. Após a implementação do Projeto de Intervenção Comunitária, o ACeS assumiu a necessidade uniformizar procedimentos nesta área de prestação de cuidados, tendo realizado a divulgação deste trabalho a todos os profissionais e iniciado a elaboração do Manual de Boas Práticas da Consulta de Enfermagem Domiciliária |
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