Publicação

Tratamentos intercetivos em odontopediatria

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Introdução: A avaliação do crescimento e desenvolvimento craniofacial das crianças é idealmente multidisciplinar. É fundamental a integração das diferentes áreas médicas para um correto planeamento estético e funcional do sistema estomatognático. Os tratamentos intercetivos estão integrados num conjunto de abordagens específicas onde a odontopediatria e a ortodontia atuam, evitando a progressão de uma má-oclusão através da remoção de hábitos deletérios, da colocação de aparelhos ou rampas/pistas. O principal objetivo deste estudo foi verificar, através de uma análise observacional descritiva transversal, a importância dos tratamentos intercetivos em odontopediatria, avaliando os conhecimentos e as práticas dos médicos dentistas perante cada criança. Material e métodos: Realizaram-se 3 questionários. O questionário I foi divulgado online e direcionado a médicos dentistas, alcançando 206 profissionais. Os questionários II e III foram efetuados pelo método de entrevista, obtendo-se 10 participantes em cada. O questionário II foi dirigido a crianças submetidas a tratamentos intercetivos e o questionário III aos respetivos encarregados de educação. Resultados: 20,4% da amostra não consulta pacientes pediátricos, pelo que a nossa amostra para as questões mais relevantes foi de 164 participantes. Todos estes (100%, n=164) consideraram saber o que são tratamentos do foro intercetivo, sendo que 56,7% (n=93) não aconselhou a execução destes em pacientes com má higiene oral. No entanto, referiram como fator mais relevante para a sua realização a necessidade funcional do paciente (79,9%). São ainda os profissionais que exercem há mais anos que privilegiam o tratamento em colaboração com terapeutas da fala (p-value=0,004) e otorrinolaringologistas (p-value=0,001). Verifica-se que os médicos dentistas não generalistas não consideram tanto o fator custo para a realização de tratamentos do foro intercetivo comparativamente com os generalistas (p-value=0,018). Quase todas as crianças questionadas (n=9) consideraram o tratamento de fácil adaptação. Também os seus encarregados, na sua totalidade (n=10), acharam que a adaptação dos seus filhos face ao tratamento executado foi boa. Conclusões: Os tratamentos intercetivos são uma realidade sólida praticada por médicos dentistas generalistas, odontopediatras e ortodontistas. A grande maioria dos casos de má-oclusão quando diagnosticada precocemente pode ser intercetada, tentando evitar tratamentos corretivos mais complexos.
Autores principais:Alves, Joana Paiva
Assunto:Odontopediatria Ortodontia intercetiva Má-oclusões Manutenção de espaço Mordida cruzada Pediatric dentistry Interceptive orthodontics Malocclusions Space maintenance Crossbite
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Católica Portuguesa
Idioma:português
Origem:Veritati - Repositório Institucional da Universidade Católica Portuguesa
Descrição
Resumo:Introdução: A avaliação do crescimento e desenvolvimento craniofacial das crianças é idealmente multidisciplinar. É fundamental a integração das diferentes áreas médicas para um correto planeamento estético e funcional do sistema estomatognático. Os tratamentos intercetivos estão integrados num conjunto de abordagens específicas onde a odontopediatria e a ortodontia atuam, evitando a progressão de uma má-oclusão através da remoção de hábitos deletérios, da colocação de aparelhos ou rampas/pistas. O principal objetivo deste estudo foi verificar, através de uma análise observacional descritiva transversal, a importância dos tratamentos intercetivos em odontopediatria, avaliando os conhecimentos e as práticas dos médicos dentistas perante cada criança. Material e métodos: Realizaram-se 3 questionários. O questionário I foi divulgado online e direcionado a médicos dentistas, alcançando 206 profissionais. Os questionários II e III foram efetuados pelo método de entrevista, obtendo-se 10 participantes em cada. O questionário II foi dirigido a crianças submetidas a tratamentos intercetivos e o questionário III aos respetivos encarregados de educação. Resultados: 20,4% da amostra não consulta pacientes pediátricos, pelo que a nossa amostra para as questões mais relevantes foi de 164 participantes. Todos estes (100%, n=164) consideraram saber o que são tratamentos do foro intercetivo, sendo que 56,7% (n=93) não aconselhou a execução destes em pacientes com má higiene oral. No entanto, referiram como fator mais relevante para a sua realização a necessidade funcional do paciente (79,9%). São ainda os profissionais que exercem há mais anos que privilegiam o tratamento em colaboração com terapeutas da fala (p-value=0,004) e otorrinolaringologistas (p-value=0,001). Verifica-se que os médicos dentistas não generalistas não consideram tanto o fator custo para a realização de tratamentos do foro intercetivo comparativamente com os generalistas (p-value=0,018). Quase todas as crianças questionadas (n=9) consideraram o tratamento de fácil adaptação. Também os seus encarregados, na sua totalidade (n=10), acharam que a adaptação dos seus filhos face ao tratamento executado foi boa. Conclusões: Os tratamentos intercetivos são uma realidade sólida praticada por médicos dentistas generalistas, odontopediatras e ortodontistas. A grande maioria dos casos de má-oclusão quando diagnosticada precocemente pode ser intercetada, tentando evitar tratamentos corretivos mais complexos.