Publicação
Vivência afetiva em enfermagem
| Resumo: | Na complexidade que caracteriza a afetividade humana, entende-se que é na totalidade da experiência de existir, na relação com o mundo e sobretudo com os outros homens, que a vivência afetiva se impõe de modo determinante no ser e agir pessoal. Nos contornos da questão filosófica da afetividade, justifica-se a relevância do tema no contexto da enfermagem, que hoje em dia e a vários níveis de reflexão, assenta na defesa da interação humana, como fundamento de uma prática que se faz de ajuda presencial. A afetividade em enfermagem afigura-se como um fenómeno complexo, ainda pouco clarificado e insuficientemente explorado, com evidência de dificuldade de conciliação entre a experiência afetiva vivida pelo enfermeiro na interação com o outro, com o compromisso profissional de prestar cuidados de enfermagem. Face a esta problemática, orientou-se uma tese com vista a um esclarecimento conceptual da questão da afetividade no comportamento humano, desenvolvendo-se um estudo no domínio da ética filosófica, aplicada à área dos cuidados de enfermagem. O estudo integra três partes principais. Na primeira, com os autores considerados, reflete-se sobre a pessoa e a esfera da afetividade; situa-se a afetividade em relação a eixos de referência que suportam a sua compreensão e esclarece-se a modalidade afetiva da presença na enfermagem. Na segunda, pela aproximação ao mundo da afetividade vivida pelos enfermeiros, constrói-se um caminho de descrição e interpretação do fenómeno na prática da enfermagem. A última parte, expressa a articulação entre as anteriores, evidenciando implicações éticas da afetividade na enfermagem. Os principais resultados, esclarecem sobre a afetividade enquanto reveladora da estrita ligação entre o nosso interior e o que fora de nós é motivo do nosso sentir, demarcando-se o vínculo entre afetividade, conhecimento e ação, num todo integrante da vida consciente. Afigura-se como determinante da experiência afetiva, o modo como é perspetivado o significado da afetividade no âmbito da enfermagem. Os elementos estruturantes da experiência afetiva, incluem: a presença da realidade que afeta, destacadas as situações de morte, doença, sofrimento e conflito; o modo como o enfermeiro é afetado, que nunca é neutro, mas pautado por sentimentos negativos e positivos; e o dinamismo inerente, emergindo o cuidado, como verdadeira ajuda pela participação dos afetos bem conduzidos. Por sua vez, a condução dos afetos, inscreve-os por diferentes vias num caminho de sentido, implicando a consciência e aceitação da sua existência, para usar a sua força de modo construtivo. Ao concluir, acresce conhecimento e compreensão sobre o papel da afetividade no ser e agir do enfermeiro, ressalvando que quer a negação, quer a expressão descontrolada dos afetos, são atitudes limitadoras da sua pessoa e do cuidado autêntico que configura a boa prática profissional. A conquista do desejável equilíbrio afetivo, afigura-se como tarefa contínua da vontade, determinante de uma manifesta sabedoria prática, que orienta o caminho da conciliação harmoniosa entre experiência afetiva e compromisso profissional de prestar cuidados, ditando ainda a possibilidade do enfermeiro ampliar o horizonte do cuidado além do dever profissional, ao integrar todos os gestos que expressam verdadeira solicitude. |
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| Autores principais: | Santiago, Maria Dulce dos Santos |
| Assunto: | Afetividade humana Relações interpessoais Cuidados de enfermagem Ética em enfermagem Human affectivity Interpersonal relations Nursing care Ethics nursing |
| Ano: | 2014 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Católica Portuguesa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Veritati - Repositório Institucional da Universidade Católica Portuguesa |
| Resumo: | Na complexidade que caracteriza a afetividade humana, entende-se que é na totalidade da experiência de existir, na relação com o mundo e sobretudo com os outros homens, que a vivência afetiva se impõe de modo determinante no ser e agir pessoal. Nos contornos da questão filosófica da afetividade, justifica-se a relevância do tema no contexto da enfermagem, que hoje em dia e a vários níveis de reflexão, assenta na defesa da interação humana, como fundamento de uma prática que se faz de ajuda presencial. A afetividade em enfermagem afigura-se como um fenómeno complexo, ainda pouco clarificado e insuficientemente explorado, com evidência de dificuldade de conciliação entre a experiência afetiva vivida pelo enfermeiro na interação com o outro, com o compromisso profissional de prestar cuidados de enfermagem. Face a esta problemática, orientou-se uma tese com vista a um esclarecimento conceptual da questão da afetividade no comportamento humano, desenvolvendo-se um estudo no domínio da ética filosófica, aplicada à área dos cuidados de enfermagem. O estudo integra três partes principais. Na primeira, com os autores considerados, reflete-se sobre a pessoa e a esfera da afetividade; situa-se a afetividade em relação a eixos de referência que suportam a sua compreensão e esclarece-se a modalidade afetiva da presença na enfermagem. Na segunda, pela aproximação ao mundo da afetividade vivida pelos enfermeiros, constrói-se um caminho de descrição e interpretação do fenómeno na prática da enfermagem. A última parte, expressa a articulação entre as anteriores, evidenciando implicações éticas da afetividade na enfermagem. Os principais resultados, esclarecem sobre a afetividade enquanto reveladora da estrita ligação entre o nosso interior e o que fora de nós é motivo do nosso sentir, demarcando-se o vínculo entre afetividade, conhecimento e ação, num todo integrante da vida consciente. Afigura-se como determinante da experiência afetiva, o modo como é perspetivado o significado da afetividade no âmbito da enfermagem. Os elementos estruturantes da experiência afetiva, incluem: a presença da realidade que afeta, destacadas as situações de morte, doença, sofrimento e conflito; o modo como o enfermeiro é afetado, que nunca é neutro, mas pautado por sentimentos negativos e positivos; e o dinamismo inerente, emergindo o cuidado, como verdadeira ajuda pela participação dos afetos bem conduzidos. Por sua vez, a condução dos afetos, inscreve-os por diferentes vias num caminho de sentido, implicando a consciência e aceitação da sua existência, para usar a sua força de modo construtivo. Ao concluir, acresce conhecimento e compreensão sobre o papel da afetividade no ser e agir do enfermeiro, ressalvando que quer a negação, quer a expressão descontrolada dos afetos, são atitudes limitadoras da sua pessoa e do cuidado autêntico que configura a boa prática profissional. A conquista do desejável equilíbrio afetivo, afigura-se como tarefa contínua da vontade, determinante de uma manifesta sabedoria prática, que orienta o caminho da conciliação harmoniosa entre experiência afetiva e compromisso profissional de prestar cuidados, ditando ainda a possibilidade do enfermeiro ampliar o horizonte do cuidado além do dever profissional, ao integrar todos os gestos que expressam verdadeira solicitude. |
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