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Cosmopolitismo e cidadania cultural : discursos sobre diversidade cultural nas políticas da Câmara Municipal de Lisboa

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Resumo:Partindo da premissa de que as políticas culturais são um objecto fundamental das ciências sociais e humanas, na medida em que articulam duas dimensões – cultura e poder – é neste contexto que se irá abordar os conceitos de cosmopolitismo e cidadania, a partir de documentos estratégicos da Câmara Municipal de Lisboa. De um modo geral, é objectivo deste trabalho perceber como é que os discursos autárquicos que se constroem em torno da diversidade cultural, ideia que hoje se encontra fortemente vinculada ao discurso sobre cosmopolitismo, se traduzem em cidadania. É no confronto com os actuais debates e conflitos em torno de fenómenos complexos como a imigração e as representações de base etno-racial, expressando-se simultaneamente em contextos cívicos e políticos, que, por fim, os objectos deste trabalho adquirem a sua justificação mais premente. Integrando neste debate as esferas política, económica e social, na medida em que não podem ser expurgadas da análise cultural, espera-se que a sua problematização possa contribuir para reflectir sobre como podem conviver a exaltação de uma cidadania cosmopolita e as actuais expressões de fechamento cultural, numa “sociedade de risco mundial” (Ulrich Beck). Num primeiro momento dá-se conta do percurso histórico destes conceitos com vista à sua sistematização e actualização crítica. O tema é, depois, abordado com um olhar reflexivo e multidimensional que direcciona o conceito de diversidade cultural para uma análise transcultural (Wolfgang Welsch) e que concebe a cultura como recurso (George Yúdice). A investigação baseia-se fundamentalmente numa análise dos discursos contidos nos documentos estratégicos da Câmara Municipal de Lisboa relacionados com a gestão da diversidade cultural da cidade e no confronto desses mesmos documentos com os dados e percepções da academia e sociedade civil. Os dados obtidos são trabalhados com base numa análise crítica que integra a produção académica seleccionada para a pesquisa. Este trabalho surge da hipótese de que uma cidadania cosmopolita, crítica e reflexiva, requer ainda uma vasta discussão e sedimentação nos discursos políticos do município de Lisboa. É, pois, objectivo deste trabalho contribuir para a consolidação dessa cidadania, resultante do diálogo entre a produção teórica e os discursos e práticas políticas, culturais e sociais.
Autores principais:Caldas, Matilde Artiaga Vieira
Assunto:Diversidade cultural Cosmopolitismo Cidadania Lisboa Cultural diversity Cosmopolitanism Citizenship Lisbon
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade Católica Portuguesa
Idioma:português
Origem:Veritati - Repositório Institucional da Universidade Católica Portuguesa
Descrição
Resumo:Partindo da premissa de que as políticas culturais são um objecto fundamental das ciências sociais e humanas, na medida em que articulam duas dimensões – cultura e poder – é neste contexto que se irá abordar os conceitos de cosmopolitismo e cidadania, a partir de documentos estratégicos da Câmara Municipal de Lisboa. De um modo geral, é objectivo deste trabalho perceber como é que os discursos autárquicos que se constroem em torno da diversidade cultural, ideia que hoje se encontra fortemente vinculada ao discurso sobre cosmopolitismo, se traduzem em cidadania. É no confronto com os actuais debates e conflitos em torno de fenómenos complexos como a imigração e as representações de base etno-racial, expressando-se simultaneamente em contextos cívicos e políticos, que, por fim, os objectos deste trabalho adquirem a sua justificação mais premente. Integrando neste debate as esferas política, económica e social, na medida em que não podem ser expurgadas da análise cultural, espera-se que a sua problematização possa contribuir para reflectir sobre como podem conviver a exaltação de uma cidadania cosmopolita e as actuais expressões de fechamento cultural, numa “sociedade de risco mundial” (Ulrich Beck). Num primeiro momento dá-se conta do percurso histórico destes conceitos com vista à sua sistematização e actualização crítica. O tema é, depois, abordado com um olhar reflexivo e multidimensional que direcciona o conceito de diversidade cultural para uma análise transcultural (Wolfgang Welsch) e que concebe a cultura como recurso (George Yúdice). A investigação baseia-se fundamentalmente numa análise dos discursos contidos nos documentos estratégicos da Câmara Municipal de Lisboa relacionados com a gestão da diversidade cultural da cidade e no confronto desses mesmos documentos com os dados e percepções da academia e sociedade civil. Os dados obtidos são trabalhados com base numa análise crítica que integra a produção académica seleccionada para a pesquisa. Este trabalho surge da hipótese de que uma cidadania cosmopolita, crítica e reflexiva, requer ainda uma vasta discussão e sedimentação nos discursos políticos do município de Lisboa. É, pois, objectivo deste trabalho contribuir para a consolidação dessa cidadania, resultante do diálogo entre a produção teórica e os discursos e práticas políticas, culturais e sociais.